Terça-feira, 16 de Abril de 2024

Home em foco Primeira-ministra britânica congela contas de gás e luz

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A nova primeira-ministra britânica, Liz Truss, anunciou um pacote de medidas para enfrentar a crise energética provocada pelo aumento dos combustíveis com a guerra na Ucrânia. O pacote inclui o congelamento dos preços das contas de gás e de luz por dois anos para as famílias, o fim de uma moratória sobre o fraturamento hidráulico para a exploração de gás e petróleo e a revisão das metas do Reino Unido para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.

O pacote emergencial pode representar a maior intervenção do governo britânico na economia em décadas, superando até as ajudas anunciadas durante a pandemia do coronavírus, quando foram gastos 78 bilhões de libras (R$ 467 bilhões). Truss não especificou quanto custará o pacote total, que vários veículos da imprensa britânica estimam poder chegar a 150 bilhões de libras (R$ 899 bilhões).

Para as famílias, o novo pacote representará uma economia de cerca de mil libras (R$ 5.999) por ano, já considerando o aumento de 80% no teto tarifário previsto para 1º de outubro, disse Truss no Parlamento dois dias após sua posse como substituta de Boris Johnson. Pelo aumento, o teto tarifário médio para as famílias passaria de 1.971 (R$ 11.,826) para 3.549 libras (21.294) por ano. Agora, ficará em 2.500 libras (R$ 15 mil).

Empresas e instituições, como escolas e hospitais, receberão “um auxílio equivalente por seis meses”, disse a premier perante deputados, que a interromperam diversas vezes durante o discurso.

“É hora de sermos ousados. Enfrentamos uma crise energética (…), e essas intervenções terão um custo”, alertou Truss depois de ter se esquivado no dia anterior das perguntas da oposição sobre como ela pensa em financiar essas políticas, que devem aumentar a já muito alta dívida pública britânica.

O governo pagará às empresas de energia a diferença no preço, respondeu Truss, sem fornecer um número de quanto o Tesouro pode gastar. Ela aguarda o ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, apresentar um orçamento ainda este mês.

Metas climáticas

Truss, que já foi executiva da gigante do petróleo Shell, defendeu políticas ultraliberais durante sua campanha para se tornar a nova líder do Partido Conservador, e consequentemente a nova chefe do governo, e se declarou fortemente contra a imposição de mais impostos às empresas de energia, cujo lucro aumentou com o aumento dos combustíveis.

Ao contrário, as medidas anunciadas também incluem suprimir temporariamente os impostos das empresas do setor destinados a financiar a transição para a neutralidade de carbono, que o Reino Unido prometeu alcançar em 2050, em uma trajetória que Truss afirmou querer reexaminar.

Garantindo estar “totalmente comprometida” com a ideia de atingir zero emissões líquidas de CO2 até a data, a nova primeira-ministra afirmou que quer garantir que isso não envolva um ônus excessivo para empresas e consumidores.

O valor do pacote, se confirmado, representa uma mudança drástica em relação à campanha de Truss, que qualificou políticas assistencialistas como um “paliativo” inútil para resolver os problemas. Mas a situação ficou insustentável diante do aumento do custo de vida. Ambientalistas, ONGs e sindicatos alertaram para uma catástrofe humanitária se algo não fosse feito a respeito.

Truss também anunciou a criação de um fundo de 40 bilhões de libras (R$ 239 bi) com o Banco da Inglaterra para garantir a liquidez dos fornecedores de energia diante da volatilidade do mercado global.

A chefe de governo e o novo ministro das Finanças garantiram que, apesar do custo, a política terá “benefícios substanciais” para uma economia britânica à beira da recessão, com uma inflação anual já superior a 10%, a maior em 40 anos, e que deve atingir 14% no final do ano.

Truss e Kwarteng disseram, em comunicado, que as novas medidas reduzirão a inflação entre quatro e cinco pontos percentuais.

A primeira-ministra também anunciou um aumento nas licenças para a extração de óleo e gás no Mar do Norte e o fim de uma moratória sobre fraturamento hidráulico, um método controverso de extração de combustível fóssil que até agora era proibido no Reino Unido. A construção de usinas nucleares e a produção de energia renovável também serão estimuladas.

As medidas integram um esforço de longo prazo para tornar o Reino Unido menos dependente da importação de energia. No entanto, o novo fornecimento não será suficiente para acabar com a crise atual — sobretudo após as ameaças russas de suspender o fornecimento de combustíveis para a Europa.

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