Sábado, 10 de Janeiro de 2026

Home Acontece Primeira usina de etanol de trigo inicia operação no Rio Grande do Sul

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Instalada em Santiago, projeto de R$ 100 milhões prevê 12 milhões de litros por ano e fortalece o agronegócio gaúcho.

A entrada em operação da primeira usina de etanol de trigo do Brasil, instalada em Santiago, no Vale do Jaguari, inaugura uma nova etapa para o agronegócio gaúcho e para a matriz energética nacional. O projeto da CB Bioenergia, que recebeu investimento de R$ 100 milhões – sendo R$ 30 milhões financiados pelo BRDE –, inicia produção nesta segunda-feira (12/01) com capacidade de 43 mil litros diários de etanol hidratado.

O empreendimento é pioneiro: até agora, o etanol brasileiro estava associado quase exclusivamente à cana-de-açúcar. A diversificação para o trigo, e potencialmente para cevada, triticale e milho, abre espaço para uma lógica agrícola distinta, baseada em culturas de inverno. Hoje, apenas 20% da área cultivada no Rio Grande do Sul é ocupada pela chamada “segunda safra”. A usina de Santiago sinaliza que esse espaço pode ser convertido em energia limpa, agregando valor a grãos historicamente subaproveitados.

Além do etanol hidratado, a planta terá capacidade de produzir álcool neutro e subprodutos destinados à ração animal, criando uma cadeia de aproveitamento integral. A expectativa é que a produção anual alcance 12 milhões de litros, com consumo diário de cerca de 100 toneladas de trigo.

Impacto econômico e estratégico

O projeto deve gerar cerca de 200 empregos diretos e 500 indiretos, fortalecendo a economia regional e estimulando o Vale do Jaguari, tradicional produtor de grãos. Para o BRDE, trata-se de um investimento estratégico: ao financiar R$ 30 milhões em linhas de inovação industrial, o banco reforça a importância das culturas de inverno como vetor de desenvolvimento.

“O futuro do campo passa muito por essas culturas”, afirmou Ranolfo Vieira Júnior, diretor de Operações do BRDE. Já Leonardo Busatto, diretor de Planejamento, destacou que o empreendimento representa “um passo em favor da produção sustentável e da transição energética”.

Contexto de mercado

A iniciativa dialoga com uma agenda global de descarbonização. O Brasil, que construiu sua reputação internacional com o etanol de cana, agora apresenta ao mercado uma alternativa baseada em grãos de clima temperado. Essa diversificação fortalece a matriz energética, reduz a dependência de safras tropicais e amplia a resiliência diante de mudanças climáticas e flutuações de mercado.

Do ponto de vista competitivo, o etanol de trigo pode reposicionar o Rio Grande do Sul como protagonista em biocombustíveis, atraindo investimentos e consolidando o estado como polo de inovação agrícola. O projeto também abre espaço para novos arranjos produtivos, integrando agricultores, indústria e setor financeiro em uma cadeia de valor ampliada.

A usina de Santiago não é apenas um investimento industrial: é um marco que reúne inovação tecnológica, financiamento estratégico e reposicionamento agrícola. Ao transformar o trigo em combustível, o Rio Grande do Sul assume papel de vanguarda e projeta-se como protagonista em uma agenda que combina sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento regional. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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