Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de setembro de 2026
A produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu cerca de 2,38% em 2025 na comparação com 2024, mas as importações ainda representam aproximadamente 8% do mercado, segundo a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil). Para a entidade, a entrada de produtos da Argentina e do Uruguai, com custos inferiores aos da produção gaúcha, mantém a pressão sobre o mercado e afeta principalmente pequenas e médias empresas, que concorrem diretamente com os importados no ponto de venda.
O cenário também é agravado pelo uso de traders por empresas menores para realizar importações, conforme o presidente da Apil, Fernando Zimmermann. “Hoje já há redes de pizzarias e supermercados que conseguem fazer essas importações diretamente ou por meio de traders. Esses produtos acabam entrando com um custo muito menor, o que afeta bastante o nosso mercado”, afirma.
Segundo Zimmermann, a pressão sobre os preços pagos ao produtor também amplia o conflito entre produtores e indústrias. Na avaliação da entidade, porém, os laticínios estão reagindo às condições do mercado. “Nós acabamos entrando numa briga, com o produtor achando que o laticinista é o culpado pela baixa dos preços que ele sofre. Estamos simplesmente reagindo a uma questão de mercado”, explica.
As pequenas indústrias ainda enfrentam desvantagens em relação às empresas maiores, que conseguem importar ingredientes e insumos, como leite em pó e massa utilizada na fabricação de requeijão. Já os pequenos laticínios dependem do leite produzido no Estado e competem com os produtos importados. Essa diferença pressiona os preços praticados pelas pequenas indústrias, que precisam absorver parte do aumento dos custos para manter a competitividade. “A gente acaba passando apenas uma parte desse custo e isso impacta diretamente no preço do produtor também”, afirma.
O descompasso entre a capacidade instalada e a produção de leite no Estado também abre espaço para ampliar a oferta nas próprias bases de produtores das indústrias. A capacidade instalada é estimada entre 19 milhões e 20 milhões de litros por dia, enquanto a produção atual está em cerca de 10,5 milhões de litros. Nesse cenário, as empresas têm buscado elevar a produtividade dos produtores com os quais já trabalham, inclusive com medidas para reduzir os custos de produção. A estratégia pode ainda diminuir despesas com logística e assistência técnica ao concentrar a captação em regiões já atendidas pelas indústrias.
A Apil defende medidas para reduzir os impactos das importações e estabelecer condições mais equilibradas de competitividade para as indústrias nacionais. Entre as propostas está a adoção de uma sobretaxa sobre produtos importados, especialmente leite em pó e queijo muçarela provenientes da Argentina e do Uruguai. Segundo Zimmermann, a entidade tem tratado do tema junto ao G100 e à Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), buscando mecanismos tributários que reduzam a diferença de preços entre os produtos importados e os fabricados no Brasil. “Outra ação que defendemos é debater com entidades do setor alternativas para ampliar o acesso ao crédito e estimular o consumo de leite e derivados”, sinaliza.
Zimmermann também ressalta os cuidados adotados na produção de leite no Rio Grande do Sul. “Cabe destacar que o leite e os produtos daqui são produzidos com muito cuidado, especialmente em relação à sanidade animal e às regras sanitárias, que no Brasil são muito exigentes. Já para produtos importados, não há informações se recebem as mesmas exigências de produção em seus países de origem”, finaliza.