Segunda-feira, 30 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de março de 2026
Os norte-americanos viveram um dia de grande mobilização popular nesse fim de semana, com uma das maiores séries de protestos já realizadas contra o presidente Donald Trump. Em um só dia, foram mais de 3 mil atos registrados em todos os 50 Estados, levando às ruas cerca 9 milhões de pessoas, de acordo com os organizadores.
As manifestações foram motivadas por uma combinação de insatisfações que têm se acumulado ao longo deste mandato do chefe da Casa Branca, a começar pelo endurecimento das políticas imigratórias e pelas denúncias de abusos nas operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE), que já resultaram em ao menos 13 mortes.
Além disso, os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel (iniciados em 28 de fevereiro) aparecem agora como mais um fator adicional de indignação. O cenário inclui, ainda, preocupações com o risco de desaceleração da economia do país.
Sob o lema “No kings” (“Sem reis”, em tradução literal), o movimento ainda incorporou críticas mais amplas ao que os manifestantes classificam como ameaças às instituições democráticas, à economia e aos direitos civis. A mobilização conta com o apoio de personalidades do mundo das artes, que vão de atores a estrelas do rock.
Dentre elas estava o sempre combativo Bruce Springsteen, que apresentou a canção “Streets of Minneapolis”, em Minnesota. Trata-se de uma composição feita em resposta aos assassinatos de Renée Good e Alex Pretti por agentes federais e em homenagem aos milhares de moradores da região que foram às ruas durante o inverno para protestar contra a política agressiva de imigração do governo Trump.
O governador Tim Walz, que chamou Springsteen ao palco, disse que estava claro que os Estados Unidos não precisam de “rei nenhum”, mas sim do “boss” (chefe), apelido pelo qual o cantor é chamado.
Em Nova York, a famosa esquina Times Square foi outro ponto de grande concentração. Minutos antes de a marcha principal partir do Central Park, a procuradora-geral do Estado, Letitia James; o defensor público da cidade, Jumaane Williams; o ator Robert De Niro; o reverendo Al Sharpton; e Padma Lakshmi se posicionaram à frente da multidão, segurando faixas pintadas à mão com os dizeres: “Protegemos nossa democracia” e “Protegemos nossos vizinhos”.
Na capital Washington, um dos manifestantes havia saído de Massachusetts para protestar mais perto da Casa Branca: “Esse país está irreconhecível. O que está acontecendo agora vai contra os princípios democráticos dos nossos fundadores. As guerras, as deportações, o desrespeito ao Congresso, isso ultrapassa a humanidade, o certo e o errado, as leis constitucionais”.
Outra participante dos atos emendou, diante dos microfones da imprensa: “A guerra ilegal, a invasão ilegal de outros países e o sequestro de seus líderes são um grande problema para mim”.
Outros países
Essa foi é terceira edição do “No kings”, e tem como pano-de-fundo uma piora nos índices de aprovação popular de Donald Trump. A queda tem se acentuado após o lançamento das ações militares na Venezuela (em janeiro) e Irã.
Outros 16 países também registraram protestos contra o presidente americano. Em Israel, houve confrontos com a polícia. Na Itália, manifestantes trouxeram cartazes que diziam: “Por um mundo livre de guerras”. Uma professora resumiu: “Não podemos mais tolerar esta situação de guerra, de desrespeito aos direitos, à constituição, e de tirania que impera por toda parte”. (com informações do portal Veja)