Quarta-feira, 11 de Março de 2026

Home Brasil Prova de fogo para a Petrobras: guerra faz disparar cotação do petróleo e pressiona a política de preços da empresa

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Mais rápido do que o esperado, a nova guerra no Oriente Médio fez a cotação do petróleo ultrapassar US$ 100 o barril. Oito dias depois do primeiro bombardeio de Estados Unidos e Israel contra Irã, o barril do tipo Brent, referência internacional, encostou em US$ 120, o que não era visto desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022. Caiu em seguida, mas permanece rondando o patamar de US$ 100.

A intensidade e a rapidez com que o conflito no Golfo Pérsico, principal região produtora de petróleo do mundo, afeta o preço da commodity tendem a colocar a Petrobras, mais uma vez, ante a adoção do modo “privado” ou “estatal” na travessia da nova ordem econômica mundial. As decisões a partir de agora indicarão o quão profunda pode ser a interferência política do lulopetismo na estratégia comercial da empresa.

Por enquanto, como grande exportadora de petróleo cru, hoje o principal item da pauta comercial brasileira, a Petrobras está lucrando com a valorização acelerada da commodity. Mas pode zerar ou até mesmo reverter ganhos dependendo do período em que a escalada da cotação se prolongar sem repasses proporcionais aos preços domésticos dos produtos derivados, como gasolina e diesel.

Há pouco mais de uma década, a escolha errada foi desastrosa para a companhia. Entre 2011 e 2014, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, o preço internacional do barril Brent se manteve sistematicamente acima de US$ 100 por motivos parecidos: a Primavera Árabe deflagrou fortes conflitos no Oriente Médio e norte da África com interrupções no fornecimento, enquanto a demanda mundial crescia. Ignorando solenemente o drástico cenário internacional, o governo petista de então manteve represados os preços internos e deteriorou sem dó o caixa da empresa, que registrou em 2015 prejuízo de R$ 34,83 bilhões, o maior da história da empresa.

A intenção era manter a inflação controlada, ainda que artificialmente e à custa da saúde financeira da Petrobras. Não será exagero identificar aí um padrão lulopetista em relação à empresa, mesmo com todas as medidas de blindagem da governança adotadas depois do arrasa-quarteirão da era Dilma. Um rigor que, a duras penas, conseguiu controlar o endividamento monstruoso da companhia e recolocá-la num ciclo de crescimento.

A guerra atual não dá sinais de que será curta como se imaginava a princípio. Com a irresponsabilidade de sempre, o presidente Donald Trump diz que a disparada do petróleo “é um pequeno preço a pagar” diante de seus objetivos no Irã e dita os rumos da economia mundial a partir da potência econômica dos EUA.

No Brasil, o ano de 2026 se anuncia como a prova de fogo para a Petrobras. Num momento em que a empresa conseguiu um alinhamento razoável aos padrões internacionais e comemora recorde de produção que levou ao aumento de 200% no lucro de 2025 em relação ao ano anterior, um novo congelamento forçado de preços para segurar de forma ilusória a inflação e manter os objetivos eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva seria uma infeliz volta ao passado. (Opinião/jornal O Estado de S. Paulo)

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