Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de fevereiro de 2026
Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) intensifica os movimentos com o intuito de se consolidar na campanha presidencial, familiares e outras figuras do universo bolsonarista divergem entre si, trocam farpas em público e se provocam com indiretas nas redes sociais.
O novo cardápio de intrigas conta com dois eixos: críticas à suposta omissão de nomes como Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira na candidatura de Flávio por parte de Eduardo Bolsonaro e conflitos sobre o papel do PL na definição de palanques estaduais — o último deles envolvendo Carlos e o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
O episódio mais ácido dos últimos dias teve Eduardo como protagonista. Dos Estados Unidos, onde está há um ano, o ex-deputado federal disse em entrevista ao SBT News que a madrasta e Nikolas não estão se envolvendo com afinco na pré-campanha do irmão. Alegou que os dois estariam jogando “o mesmo jogo” e teriam “amnésia”.
“Eu, pelo menos, não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas a toda hora. Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê um lado a lado, compartilha o outro e se apoia na rede social. Estão com amnésia, talvez, não sei por qual motivo”, afirmou.
No sábado, Michelle publicou no Instagram um registro da banana frita que levaria para o marido. Aos olhos de observadores das rixas familiares, foi uma provocação a Eduardo, conhecido pejorativamente como “bananinha”. Como resposta, o enteado compartilhou uma publicação no X de um apoiador que, ao reproduzir uma foto do ex-deputado com Flávio nos Estados Unidos, rebateu a mulher de Bolsonaro: “Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país”.
Também no sábado, Nikolas visitou Bolsonaro por cerca de duas horas na Papudinha e, na saída, foi perguntado sobre as alfinetadas de Eduardo.
“Primeiro, eu discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tenha amnésia. Eu me lembro muito bem de todos os anos que eu fui atacado injustamente”, disse o deputado, que também comentou que está “acostumado” a ser criticado por Eduardo. “Bater em mim eu já estou acostumado. Já tem mais de três anos que eles estão aí nessa saga. Mas, sabe, deixa a Michelle viver o calvário dela. Eu acho que o Eduardo não está bem”, completou.
Na segunda, até a mulher de Eduardo, Heloísa, que não é envolvida no dia a dia partidário, entrou na discussão. Em publicação feita, segundo ela, sem o marido saber, reconheceu que o filho de Bolsonaro “não está bem”, mas complementou: “É humano, carrega uma cobrança e um peso absurdo nas costas, além da dor da saudade”.
Ao criticar a madrasta, Eduardo expôs uma insatisfação que tem como pano de fundo a atuação de Michelle em prol de aliados e em descompasso com o plano nacional de Flávio. Nos Estados, por exemplo, a ex-primeira-dama interveio em três locais para viabilizar candidaturas de seu gosto, na contramão de costuras partidárias que estavam em andamento.
Em Santa Catarina, trabalhou para viabilizar a deputada Caroline de Toni, do PL, ao Senado, o que irritou o PP do senador Esperidião Amin, postulante à reeleição que buscava um acordo com o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL já terá por lá a candidatura do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro.
No Distrito Federal, interferiu na ideia do bolsonarismo de ter o governador Ibaneis Rocha (MDB) ao Senado, ao incentivar o lançamento da deputada Bia Kicis (PL) junto com ela própria na chapa. Já no Ceará, colocou-se publicamente contra uma aliança — defendida por Flávio — com Ciro Gomes, recém-filiado ao PSDB para tentar voltar ao governo cearense numa frente anti-PT.
Outro movimento da ex-primeira-dama se deu em parceria com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que viu a ideia de concorrer à Presidência minguar — Michelle era cotada para a vice em sua chapa e, portanto, acabou sendo diretamente afetada pelo surgimento da candidatura de Flávio. A atuação dos dois junto a ministros do Supremo Tribunal Federal foi considerada decisiva para conseguir a transferência do ex-presidente para a Papudinha, onde tem melhores condições. Eles tentam agora transferi-lo para a prisão domiciliar. (Com informações do jornal O Globo)