Quinta-feira, 19 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de março de 2026
Seja pelo discurso do ex-ministro de Lula, José Dirceu, na comemoração de seus 80 anos, seja na resolução divulgada na terça-feira (17), o Partido dos Trabalhadores traça suas linhas contra a ameaça do oponente Flávio Bolsonaro, em empate técnico nas pesquisas de opinião. Que haverá bombardeio em relação às suspeitas de enriquecimento ilícito via rachadinhas, ninguém tem dúvidas. Mas existirá também a tradicional recuperação da luta de classes, somada com uma tentativa de vincular o candidato do PL à subserviência ao governo do americano Donald Trump.
O PT nunca foi dado a muitas sutilezas quando o objetivo é vencer eleições. Transforma-se em uma batalha do bem contra o mal, onde eles, claro, são o bem. Quem está contra o petismo representa as elites, o racismo, o desprezo aos necessitados, o onipresente fascismo e coisa pior. Funcionou bastante em todas as eleições contra os tucanos na era pós-Fernando Henrique Cardoso.
Deu errado contra Jair Bolsonaro, mas voltará contra o primogênito Flávio: “Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los”, diz a resolução. O velho PT de sempre usa suas armas de dividir o País no “nós contra eles”.
José Dirceu, por sua vez, já avisou que não haverá “Lula paz e amor” em 2026, como se esse personagem tivesse algum dia existido. “O Brasil governado por ele (Flávio Bolsonaro) será governado pelo Trump e pelos interesses dos Estados Unidos”, destacou Dirceu. “O que está em jogo é a soberania do Brasil”, completou. Está claro que haverá uma nova cisão aí, entre os “soberanos” e os “subservientes”.
E o caso Master, o que o PT fará? O mesmo que a oposição, porém com sinal trocado. Irá higienizar a história do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, retirando as referências ao partido e aos ministros do Supremo Tribunal Federal, tidos como aliados de ocasião. Se possível, vincular o escândalo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. “Não por acaso, Daniel Vorcaro e o Banco Master doaram milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto lideranças da extrema direita, como o deputado Nikolas Ferreira”, afirma a resolução, em seu item “5”, que traz uma síntese da estratégia.
Dará certo? Só o tempo dirá. Hoje, as maiores forças políticas do Brasil possuem uma enorme dificuldade para falar para quem não é convertido. O bolsonarismo, nesse sentido, é um espelho invertido das estratégias agressivas.
A disputa de votos, entretanto, é por uma fração restrita do eleitorado. Gente moderada de centro desprezada por ambos os lados, mas que não costuma ser seduzida por discursos histriônicos ou reducionistas. (Opinião por Fabiano Lana/O Estado de S. Paulo)