Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026

Home Política PT ingressa com processos judiciais contra políticos que ligaram o partido e Lula ao narcotráfico

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Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado (3), o PT ingressou com diversas ações judiciais contra políticos da direita que associaram a sigla e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico na América Latina. Além disso, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou, em suas redes sociais, uma montagem em que Lula aparece sendo preso em meio a uma intervenção estrangeira, o que gerou reação e críticas da esquerda.

O deputado federal Lindbergh Farias (RJ), líder do PT na Câmara, protocolou uma representação à Polícia Federal (PF) contra Nikolas, que, segundo ele, “tem que ser preso por traição e atentado contra a soberania nacional”. O petista defende que Nikolas – assim como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, por outras declarações – responda criminalmente por “normalizar intervenção militar estrangeira no Brasil”.

Na mesma representação, Lindbergh lembrou das articulações de Eduardo para a imposição de sanções contra o País. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de coação no curso do processo pois, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), sua atuação nos EUA buscou pressionar e intimidar a Corte às vésperas da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em relação a Flávio, pré-candidato à Presidência, Lindbergh afirmou que a representação tem como base declarações feitas pelo senador em outubro. Após os EUA anunciarem um ataque a um barco que supostamente transportava drogas no Oceano Pacífico, ele sugeriu que os americanos atacassem “organizações terroristas” na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

“Vocês são vira-latas, defendem isso mesmo. Querem que o Brasil seja colônia norte-americana. Querem ficar de joelhos dobrados para atrapalhar o Brasil. Vamos continuar defendendo a democracia”, disse Lindbergh.

O PT também decidiu processar o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), que definiu o partido como “narcoafetivo”. A declaração ocorreu quando Ramuth comentou a situação dos imigrantes venezuelanos no estado.

“Acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente que estão na fronteira, a retornar ao seu país, onde vão poder desfrutar de liberdade. Porque vai deixar de ter aquele estado narcoafetivo, como o PT que temos aqui. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo”, afirmou.

Antes, o partido ingressou com uma ação judicial contra o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) por dano moral. Nas redes sociais, o parlamentar publicou um vídeo em que também associa o PT e Lula ao tráfico de drogas. Dentre outros crimes, Maduro será julgados nos EUA por conspiração para narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína.

“Tem que ser preso”, escreveu Bylinskyj sobre o petista, que divulgou uma foto dele abraçado com Maduro. Segundo o PT, o conteúdo difunde “narrativa sabidamente falsa e difamatória sem qualquer lastro fático ou jurídico”, e teve “ampla circulação e elevado engajamento”, tendo “gravidade adicional” por ter sido divulgado em período pré-eleitoral.

Meme

Na segunda (5), o deputado federal Reimont (PT-RJ) já havia protocolado outro pedido de prisão contra Nikolas. Segundo ele, o opositor teria sugerido a invasão do País “para o sequestro do Presidente da República”, e deve ser investigado pelo Ministério Público Federal.

Reimont solicitou a remoção do conteúdo publicado por Nikolas e o bloqueio de suas redes sociais. No mesmo dia, o ex-presidente do PSOL Juliano Medeiros e o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Nikolas devido ao mesmo post.

“Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar”, reagiu Nikolas.

Nikolas foi questionado pela imprensa sobre as declarações em relação à Venezuela. Ele ressaltou que a postagem sobre Lula foi apenas uma brincadeira, mas admitiu que aceitaria uma “intervenção externa” no Brasil para que “criminosos paguem pelos seus crimes”.

Na mesma ocasião, ele discordou que a ação dos EUA pode ser feita em outros países. Nikolas lembrou das declarações em que Maduro “desafiou” presidente Donald Trump e “abriu um precedente” ao pedir para capturá-lo, e mencionou as críticas feitas pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que também se tornou alvo do líder americano. (Com informações do jornal O Globo)

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