Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de fevereiro de 2026
No verão gaúcho, o calor não castiga apenas quem enfrenta o asfalto das cidades. Nas propriedades leiteiras, ele se transforma em um inimigo silencioso da produtividade. Vacas de alta produção, como as da raça Holandesa, carregam dentro de si uma fábrica de leite que funciona sem descanso. Mas essa eficiência cobra um preço: quanto mais leite produzem, mais calor geram. E quando a temperatura sobe, o corpo delas pede socorro.
“Quanto mais leite a vaca produz, maior é o calor gerado pelo próprio metabolismo. Isso torna o animal mais sensível às altas temperaturas, principalmente quando há umidade elevada”, explica Maíza Scheleski da Rosa, superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS.
O calor que rouba litros de leite
O desconforto térmico começa cedo. Acima de 20 °C, especialmente em dias úmidos, o animal já sente os efeitos. O Índice de Temperatura e Umidade (ITU) é a régua que traduz essa sensação: valores acima de 68 significam risco real de estresse.
Na prática, isso significa perda de produção. Uma vaca Holandesa que em condições ideais poderia entregar 35 a 40 litros por dia, sob estresse térmico pode cair para 30 litros ou menos. Essa redução de até 20% não é apenas um número: é renda que desaparece do produtor e competitividade que se perde no mercado.
“O animal em estresse térmico reduz o consumo e, por consequência, há queda na produção. A fertilidade pode ser prejudicada e os animais ficam mais suscetíveis a doenças”, observa Maíza.
Sinais visíveis no dia a dia
Quem convive com o rebanho percebe os sinais: respiração acelerada, salivação intensa e vacas que passam mais tempo em pé do que deitadas ruminando. “Esses comportamentos mostram que o animal está tentando dissipar calor e não está em condição ideal de conforto”, explica a técnica.
Manejo como resposta
A saída está no manejo inteligente. Em sistemas confinados, ventiladores e exaustores ajudam a renovar o ar. Aspersores de água, combinados com ventilação, criam microclimas mais frescos. Telhados com isolamento térmico e áreas de sombra planejadas reduzem o impacto direto do sol. Água limpa e fresca, sempre disponível, é indispensável.
Nos sistemas a pasto, a lógica é semelhante: sombra natural ou artificial, deslocamentos nos horários mais frescos e planejamento forrageiro para evitar caminhadas longas sob o sol. Até a rotina de alimentação precisa ser ajustada: “A vaca tende a comer melhor quando ela não está sofrendo com o calor”, lembra Maíza.
Mais que conforto, uma estratégia
O conforto térmico não é luxo. É estratégia de sobrevivência e produtividade. “Quando a vaca está confortável, ela está em bem-estar, come melhor, produz mais leite, reproduz com mais eficiência e permanece mais tempo no rebanho”, conclui a especialista. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)