Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de janeiro de 2026
Clientes do Banco Master que investiram em aplicações cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs), aguardam há quase dois meses o reembolso dos recursos, a contar de 18 de novembro, quando o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Na ocasião, o FGC informou que havia 1,6 milhão de investidores elegíveis à reposição – ou seja, que terão direito à restituição de investimentos no banco de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ –, o que totaliza cerca de R$ 41 bilhões em indenizações.
Embora não haja prazo legal definido para a restituição, investidores se dizem apreensivos com o processo de liquidação, envolto em camadas políticas e institucionais controversas que têm dominado o noticiário, além de se queixarem de que o dinheiro não é corrigido enquanto está parado à espera do pagamento pelo FGC, nem mesmo pela inflação.
O Master teve suas operações encerradas pelo BC no fim do ano passado após uma longa crise que envolveu o veto da autoridade monetária à compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Distrito Federal.
A liquidação foi decretada logo após o dono do banco, Daniel Vorcaro, tentar a venda para outra instituição financeira. Ele foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de fraudes em transações do Master com o BRB que somam R$ 12,2 bilhões. Ao Tribunal de Contas da União (TCU), o BC informou que o conglomerado liderado por Vorcaro — que cumpre medidas cautelares em liberdade — estava em “crise aguda de liquidez”.
Ou seja, não tinha dinheiro suficiente para honrar todas as suas obrigações financeiras, inclusive o pagamento de investidores.
O que diz o Fundo
O BC nomeou uma empresa para administrar o processo de liquidação, o que passa pelo levantamento dos ativos das companhias que compõem o grupo financeiro de Vorcaro. Só quando terminar esse trabalho, o FGC pode entrar em ação. “Aguardamos as informações do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank, que estão sendo consolidadas pelo liquidante, com o apoio do FGC, para iniciar o pagamento da garantia aos credores tão logo quanto possível”, informou o Fundo, em nota.
A liquidante, a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas, havia informado, no fim de dezembro, que a relação do patrimônio estava em fase de consolidação.
Enquanto isso, os credores enfrentam certa ansiedade com o processo moroso e se queixam de que os valores aplicados deixam de ter qualquer rendimento enquanto não são resgatados, conforme definido pelas regras do mercado financeiro.
Fim da fila
O advogado Gustavo Kloh, professor da Escola de Direito da FGV no Rio e especialista em Direito do Consumidor, afirma que essa não é a primeira vez que o FGC demanda um processo mais alongado para ressarcir clientes de bancos liquidados. Ele avalia que os credores do Master serão reembolsados em breve.
“A liquidação de uma instituição financeira é um pouco diferente de uma falência normal. Ela tem uma lei própria, tem regras próprias. Quem nomeia o liquidante é o BC, e é ele quem vai ranquear os créditos. O consumidor, que é o cotista, entra no fim da fila. Nesse caso, cito a teoria do “bolo de aniversário”. A primeira fatia é grossa, depois o bolo vai ficando menor e quem chegar por último pega as fatias mais finas, se ainda houver bolo”, explica. As informações são do jornal O Globo.