Terça-feira, 21 de Julho de 2026

Home Variedades Quase metade dos usuários de canetas emagrecedoras não revela ao parceiro que faz o tratamento; veja os motivos

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Celebridades de primeira linha passaram a usar abertamente medicamentos como Ozempic para emagrecer, em vez de tratá-los apenas para as condições médicas para as quais foram desenvolvidos. Essa visibilidade acabou se espalhando para o público em geral. Mulheres jovens estão experimentando os medicamentos GLP-1 para perder apenas alguns quilos, às vezes com consequências graves para a saúde, enquanto empresas de telemedicina oferecem acesso praticamente sem barreiras a esses tratamentos. Nomes como Ozempic, Mounjaro e Wegovy já fazem parte do vocabulário cotidiano.

Ao mesmo tempo, há um enorme interesse por histórias sobre influenciadores com o chamado “rosto de Ozempic” (Ozempic Face) ou corpos extremamente magros. Pessoas que utilizam esses medicamentos, por vezes, são alvo do chamado “Ozempic shaming”, sendo criticadas por recorrerem à medicação em vez de dieta e exercícios. Paralelamente, os GLP-1 também são acusados de reforçar a gordofobia.

Nesse contexto delicado, revelar o uso de um medicamento GLP-1 para alguém com quem se está saindo ou mantendo um relacionamento amoroso pode ser uma situação difícil. Quando somos socializados para sentir vergonha de ter um corpo maior do que o considerado “ideal” — um corpo que passamos anos tentando “controlar” —, admitir o uso de Ozempic pode nos colocar em uma posição vulnerável, em que parece não haver uma resposta certa.

Embora ainda existam poucas pesquisas independentes e revisadas por pares sobre esse tema, uma pesquisa recente, publicada pela própria ZipHealth — empresa de telemedicina que oferece acesso a medicamentos GLP-1 —, traz um panorama de como algumas pessoas encaram a decisão de revelar o uso desses medicamentos durante a vida amorosa.

Namorar usando medicamentos GLP-1
A ZipHealth entrevistou 1.000 norte-americanos solteiros, entre mulheres (50,9%), homens (46,2%) e pessoas não binárias (2,6%). Pouco mais de 480 participantes pertenciam à geração millennial, 342 à geração Z e 149 à geração X. Desse grupo, 5,1% utilizavam um medicamento GLP-1 e 4,2% já haviam feito uso anteriormente.

Entre os usuários, 74% disseram que saíram para encontros enquanto utilizavam os medicamentos e relataram resultados positivos. Eles passaram a ter 60% mais encontros por mês em comparação ao período anterior ao tratamento. Além disso, 54% afirmaram sentir mais confiança em relação ao próprio corpo, e 28% disseram que passaram a ter mais relações sexuais.

Mais da metade dos participantes que utilizavam ou já haviam utilizado medicamentos GLP-1 contou aos parceiros ou pretendentes sobre o tratamento. Cerca de 85% receberam uma reação neutra ou positiva. Esse resultado reflete a crescente normalização do emagrecimento por meio de medicamentos e está em sintonia com pesquisas recentes que mostram uma percepção cada vez mais favorável ao Ozempic nos ambientes online.

Ainda assim, 43% optaram por não revelar o uso do medicamento ao parceiro ou à pessoa com quem estavam saindo. As justificativas foram variadas: 19% disseram que o assunto é muito pessoal; 17% afirmaram que isso não é relevante para o relacionamento; 12% sentiram vergonha de não ter emagrecido “naturalmente”; e 10% temiam que os outros pensassem que haviam escolhido o “caminho mais fácil”.

Afinal, isso é da conta de quem?
Curiosamente, um quarto dos participantes da pesquisa da ZipHealth afirmou que ninguém deveria ser obrigado a revelar que utiliza medicamentos GLP-1.

Os entrevistados também indicaram que essa revelação deve ser encarada como uma decisão privada, e não como uma obrigação pública. Isso levanta questões éticas sobre confidencialidade e sobre até que ponto informações médicas pessoais precisam ser compartilhadas.

As pessoas realmente deveriam contar esse tipo de informação? E, se sim, em que momento? Omiti-la seria comparável ao catfishing — quando alguém cria uma identidade enganosa para atrair outra pessoa — ou a fornecer informações falsas em um relacionamento?

Na prática, a situação nem sempre é tão simples. Seja entre familiares, amigos ou colegas de trabalho, informações de saúde podem acabar sendo divulgadas de forma inesperada.

Embora namorar possa ser uma experiência empolgante, também costuma despertar ansiedade, especialmente quando entram em cena pressões relacionadas à aparência e à imagem corporal.

Os medicamentos GLP-1 estão transformando o cenário do emagrecimento. No entanto, os sentimentos contraditórios que cercam esses tratamentos fazem com que revelar seu uso durante a vida amorosa esteja longe de ser uma decisão simples.

A pesquisa da ZipHealth, embora de pequeno porte, oferece um retrato inicial de como o uso desses medicamentos pode aumentar a autoconfiança e favorecer experiências mais positivas nos relacionamentos. Ainda assim, menos da metade dos participantes que utilizavam GLP-1 optou por compartilhar essa informação com seus parceiros ou pretendentes.

Essa hesitação evidencia o estigma ainda associado à gordura corporal e a crença profundamente enraizada de que existe apenas uma forma “correta” de emagrecer: por meio de dieta e exercícios físicos. Com informações do portal O Globo.

 

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