Sábado, 14 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de março de 2026
Depois de um ano de exportações crescentes, impulsionadas pela demanda argentina, em 2025, a indústria automobilística brasileira iniciou 2026 em um cenário externo menos favorável. As vendas recuaram, refletindo a retração do mercado vizinho, que vinha sendo o principal destino dos embarques de veículos produzidos no Brasil.
No total, no primeiro bimestre deste ano, foram embarcados 59,4 mil veículos produzidos no País, ante 82,4 mil no mesmo período de 2025, o que representou uma retração de 28%. O resultado só não foi pior porque o México trouxe uma inesperada demanda. Em fevereiro, as vendas para o mercado mexicano saltaram de 2,2 mil para 9,1 mil unidades.
A Argentina sempre foi o principal destino das exportações de veículos fabricados no Brasil. Como reflexo de uma demanda crescente e constante, as exportações do setor subiram 32% no ano passado. No entanto, entre janeiro e fevereiro, os embarques para o país vizinho caíram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, uma redução de 7,5%.
O efeito dessa retração foi, no entanto, maior em razão do peso da Argentina nas vendas externas do setor. Em 2025, o país vizinho foi o destino de 59% dos embarques brasileiros. Absorveu 302 mil dos 528 mil veículos exportados pelo Brasil.
Dados da Abeceb, uma das maiores consultorias da Argentina, mostram queda nas importações de todos os produtos produzidos no Brasil, mas com impacto maior no setor automotivo. Em fevereiro, as importações argentinas do Brasil somaram US$ 1,057 bilhão, o que representou queda de 26,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foi o maior declínio desde julho de 2024.
Na avaliação da consultoria, o resultado negativo é decorrente, em grande parte, da retração das importações do setor automotivo, que, com uma redução de US$ 284 milhões em fevereiro, representaram 74% da queda geral.
Segundo a Abeceb, o maior declínio das importações do setor automotivo foi registrado no segmento de caminhões, com retração de 64,3% em relação a fevereiro de 2025, seguido de uma redução de 51,4% nos comerciais leves. As importações de automóveis caíram 43,6%, e as compras de peças e acessórios recuaram 30,9%.
A queda nas vendas de peças produzidas no Brasil revela a redução no ritmo de produção nas fábricas de veículos da Argentina, uma consequência da retração do mercado interno diante de incertezas em relação à capacidade de o governo do presidente Javier Milei conter a inflação e honrar o pagamento da dívida externa.
A queda nas exportações teve efeito no ritmo de produção das fábricas brasileiras. No primeiro bimestre, o Brasil produziu 338 mil veículos, queda de 8,9% em relação aos dois primeiros meses de 2025.
No mercado interno, o resultado foi melhor. Nos primeiros dois meses do ano, foram vendidas 355,7 mil unidades, uma leve queda de 0,1% na comparação com o mesmo período de 2025. A demanda interna ainda revela o avanço dos produtos importados, com forte presença das marcas chinesas. As informações foram divulgadas pelo Valor Online.