Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de janeiro de 2026
Vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela após as forças americanas realizarem um ataque de grande escala ao país e capturarem o líder venezuelano na madrugada de sábado (3).
A decisão de manter Rodríguez como substituta de Maduro foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, logo após ele ser retirado do poder pelos Estados Unidos. Segundo o texto, ela assume o cargo para “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
Além da determinação do Supremo, as Forças Armadas da Venezuela também reconheceram, neste domingo (4), Delcy Rodríguez como presidente interina do país. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, fez um pronunciamento em rede nacional no qual endossou a decisão do Supremo de mantê-la no poder por 90 dias.
Pela Constituição venezuelana, uma vez confirmada a remoção do chefe de Estado, cabe à vice-presidente assumir interinamente a Presidência.
Em sua primeira declaração após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez pediu calma e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”. Também classificou o caso como um “sequestro” promovido pelos EUA.
Rodríguez, de 55 anos, é advogada e ocupa cargos no governo venezuelano desde 2003, na gestão de Hugo Chávez. Ela tem perfil combativo e marca presença constante nos momentos de maior tensão institucional.
Neste domingo (4), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou à revista The Atlantic que Rodríguez vai pagar um “preço muito alto” se não cooperar com os Estados Unidos. Segundo Trump, o custo dos próximos passos de Rodríguez podem ser ainda mais altos do que os de Maduro.
“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, disse.
Segundo o jornal The New York Times, semanas antes da operação que resultou na captura do presidente venezuelano, autoridades dos EUA já haviam decidido que o nome de Rodríguez seria “aceitável”, ao menos temporariamente.
Trajetória de Delcy Rodríguez
Figura central do chavismo, Delcy Eloína Rodríguez Gómez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. É filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, partido marxista, morto em 1976 enquanto estava sob custódia policial, e de Delcy Gómez. É irmã de Jorge Rodríguez Gómez, ex-vice-presidente da Venezuela e ex-prefeito de Caracas, um dos principais articuladores políticos do regime.
Advogada especializada em direito do trabalho, formou-se na Universidade Central da Venezuela e afirma ter feito pós-graduação em Paris e em Londres. Atuou como professora universitária e presidiu uma associação de advogados trabalhistas.
Na vida pessoal, não é casada, não tem filhos e teve relacionamentos conhecidos, entre eles com o ator Fernando Carrillo, até 2007, e, mais recentemente, com Yussef Abou Nassif Smaili, citado como seu parceiro em viagens oficiais.
A trajetória política começou em 2003, ainda no governo de Hugo Chávez, em cargos técnicos ligados à Vice-Presidência e ao Ministério de Energia e Minas. A partir daí, acumulou funções de crescente peso no núcleo do poder chavista, tanto na política interna quanto na diplomacia.
Entre os principais cargos ocupados ao longo da carreira estão:
vice-ministra para Assuntos Europeus, em 2005;
ministra de Assuntos Presidenciais, em 2006;
ministra da Comunicação e Informação, entre 2013 e 2014;
ministra das Relações Exteriores, de 2014 a 2017;
presidente da Assembleia Nacional Constituinte, entre 2017 e 2018;
vice-presidente executiva da Venezuela, desde 14 de junho de 2018, cargo contestado pela oposição entre 2019 e 2023;
ministra do Petróleo e da Economia, entre 2024 e 2025.
Integrante da direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Delcy Rodríguez também liderou brevemente o movimento Somos Venezuela, criado em 2018 como braço político e social do governo. Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das vozes mais duras do chavismo contra pressões internacionais.
Desde 2018, ela é alvo de sanções impostas por diferentes países e blocos. As medidas incluem congelamento de ativos e restrições de entrada no exterior, aplicadas por:
Estados Unidos, por acusações de corrupção e violações humanitárias;
União Europeia, por minar a democracia venezuelana;
Canadá, México e Suíça.
Nos meses que antecederam a atual crise, Delcy intensificou o discurso contra Washington:
Em dezembro de 2025, classificou como “roubo e sequestro” a apreensão de navios petroleiros venezuelanos pelos Estados Unidos e prometeu recorrer à ONU e a outras instâncias internacionais.
Também condenou a renovação de sanções contra empresas como a Chevron e a venda forçada da Citgo, subsidiária da PDVSA em território americano, afirmando que essas medidas “roubaram 99% da renda nacional”.
Com perfil combativo e presença constante nos momentos de maior tensão institucional, Delcy Rodríguez emerge como a principal figura do chavismo diante da ofensiva militar anunciada por Trump e da incerteza sobre o destino de Nicolás Maduro. Com informações do portal G1.