Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de janeiro de 2026
Diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), Fabro Steibel afirmou que existe uma linha tênue entre o exercício da liberdade de expressão e a prática de crime nos casos envolvendo a contratação de influenciadores digitais para a publicação de conteúdos críticos à liquidação do Banco Master. A avaliação foi feita em meio às investigações que apuram a possível articulação de uma campanha coordenada contra a decisão do Banco Central.
De acordo com Steibel, as publicações em si, consideradas de forma isolada, não configuram necessariamente crime, e a tendência é que os influenciadores que divulgaram os conteúdos não sejam responsabilizados judicialmente. No entanto, o especialista ressalta que a responsabilização pode recair sobre quem financiou ou organizou a estratégia de comunicação.
“Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não”, disse Steibel, em entrevista à GloboNews. Segundo ele, a análise jurídica deve se concentrar na existência de intenção deliberada de causar dano à reputação de instituições ou de interferir indevidamente na confiança do sistema financeiro.
O diretor do ITS destacou ainda que a liberdade de expressão tende a ser mais ampla quando o tema em debate envolve assuntos de interesse público, como decisões do Banco Central. Ainda assim, ele pondera que certos elementos chamam a atenção das autoridades e do público, especialmente quando perfis que não costumam tratar de economia ou sistema financeiro passam a abordar o tema de forma repentina e com discurso alinhado.
“É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro”, disse. Para Steibel, esse tipo de comportamento pode indicar a existência de uma ação coordenada, o que altera a análise sobre os limites da liberdade de expressão.
Nesta semana, o vereador Rony Gabriel (PL-Erechim, de MG) e outros influenciadores relataram ter recebido propostas para divulgar, em seus perfis nas redes sociais, a narrativa de que o Banco Central teria agido de forma precipitada ao decretar a liquidação do Banco Master. Os relatos apontam para a oferta de remuneração em troca da publicação de vídeos e comentários críticos à atuação do órgão regulador.
A informação foi revelada pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no g1. Segundo a publicação, a estratégia previa a disseminação de conteúdos que ecoassem argumentos contrários à decisão da autoridade monetária e colocassem em dúvida a legalidade ou a motivação da liquidação.
Diante das denúncias, a Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar os fatos. A investigação busca esclarecer se houve tentativa de manipulação da opinião pública por meio de conteúdos pagos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central, que determinou a liquidação da instituição financeira de Daniel Vorcaro no fim do ano passado.
A defesa do Banco Master afirmou não ter informações sobre a suposta contratação de influenciadores com o objetivo de difamar o Banco Central.