Domingo, 08 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de fevereiro de 2026
Repleta de astros da “lista A” e veteranos aclamados, a seleção de Melhor Ator deste ano é a mais forte que os eleitores do Oscar organizaram em bastante tempo. Mas qual dos concorrentes prevalecerá? Faltando um mês e meio para a escolha do vencedor, aqui está o potencial caminho de cada indicado até a vitória.
Poucas coisas ajudam em uma performance digna do Oscar como uma boa cena final. Basta olhar para Mikey Madison, que provou ser memoravelmente emocionante nos últimos momentos de “Anora”, ao ponto de seu olhar lacrimejante se tornar a imagem central da bem-sucedida campanha do filme ao Oscar.
Sem estragar nada, Timothée Chalamet fecha “Marty Supreme” com um par de cenas impactantes que funcionam como um golpe duplo e destacam suas maiores forças como ator: comprometimento físico e vulnerabilidade emocional. Esse final poderoso já levou Chalamet a vitórias no Critics Choice Awards e no Globo de Ouro, então se alguém nesta corrida pode ser considerado favorito, é ele.
Mas os eleitores do Oscar têm uma verdadeira aversão a premiar homens jovens nesta categoria, e Chalamet, com 30 anos, se tornaria o segundo mais jovem a levar a estatueta de melhor ator. Eles fizeram Leonardo DiCaprio esperar até seus 40 anos para finalmente premiá-lo, e esse mesmo ceticismo da velha guarda da Academia poderia prejudicar a melhor chance de Chalamet até agora.
DiCaprio
Alguém duvida que Leonardo DiCaprio ganhará outro Oscar algum dia? Aos 51 anos, ele permanece uma das últimas superestrelas globais, continuamente usando seu prestígio para realizar filmes ambiciosos com diretores de primeira linha. Se um segundo Oscar é inevitável, faria sentido que fosse por “Uma Batalha Após a Outra”, um dos filmes mais fortes em que ele já atuou.
Ainda assim, os eleitores do Oscar tomaram DiCaprio como garantido nos últimos anos. Apesar de liderar as apostas com “Assassinos da Lua das Flores” e “Não Olhe para Cima”, ele não foi indicado por nenhum deles. A vitória atrasada de DiCaprio por “O Regresso”, há uma década, pareceu satisfazer os eleitores, que não mostraram pressa em reconhecê-lo desde então.
Ethan Hawke
Se esta corrida fosse julgada por palavras por minuto, Ethan Hawke ganharia de lavada. Como o letrista falante e mordaz Lorenz Hart em “Blue Moon”, ele pode entregar mais diálogos do que todos os outros nesta categoria combinados.
Os eleitores do Oscar adoram uma grande transformação, e em um campo de melhor ator com poucas delas, Hawke se destaca por raspar a cabeça e mudar sua postura para interpretar o mais baixo e careca Hart. Eleitores que preferem um indicado mais experiente do que Chalamet também podem considerar Hawke, aos 55 anos, o mais atrasado para uma vitória: esta é sua quinta indicação, após duas por atuação (“Dia de Treinamento”, “Boyhood”) e duas pelos roteiros de “Antes do Por do Sol” e “Antes da Meia Noite”.
Michael B. Jordan
Se o filme de vampiro de Ryan Coogler tem alguma esperança de ganhar o prêmio de Melhor Filme, uma vitória de atuação ajudaria a defender esse caso, e Michael B. Jordan foi o membro do elenco de “Pecadores” mais consistentemente indicado nesta temporada (interpretar irmãos gêmeos claramente delineados é uma ótima maneira de demonstrar seu alcance.) Ainda assim, uma vitória ao longo do caminho teria ajudado: no Globo de Ouro, onde a maioria dos homens nesta lista estava competindo nas categorias de comédia, ele perdeu o prêmio de Melhor Ator em Drama para Wagner Moura (O Agente Secreto).
Wagner Moura
Eu costumo dizer que vale a pena ter o último filme assistido pelos eleitores, pois alcançar o auge tarde no jogo pode dar a você uma vantagem sobre concorrentes cujos momentos começaram a desvanecer. No ano passado, após Fernanda Torres conquistar uma surpreendente vitória no Globo de Ouro pelo drama brasileiro Ainda Estou Aqui, ela usou essa onda tardia para conseguir uma indicação a melhor atriz no Oscar. Fernanda conquistou muitos votos e quase emergiu como a surpresa.
Neste ano, estamos vendo essa mesma mudança de última hora com Wagner Moura, outro brasileiro que ganhou o Globo de Ouro por sua performance simpática no drama político “O Agente Secreto”, garantindo seu lugar em uma disputa acirrada de Melhor Ator. A diferença desta vez é que Moura é muito mais conhecido para a base de eleitores em grande parte americana da academia do que Fernanda Torres. Desde seu papel de destaque na série da Netflix “Narcos”, o ator de 49 anos tem trabalhado em Hollywood há anos.
Como Hawke, Moura pode se beneficiar de eleitores que relutam em apoiar um concorrente jovem como Chalamet. (Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times e reproduzido por O Estado de S. Paulo)