Quarta-feira, 20 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de maio de 2026
Os Estados Unidos acusaram criminalmente nesta quarta-feira (20) Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e ex-presidente de Cuba, de 94 anos. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que teve acesso aos registros do tribunal.
De acordo com os autos, Castro é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também são citadas como rés em uma moção dos EUA para tornar pública a acusação contra Castro.
“Os Estados Unidos não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, disse Trump em um comunicado divulgado na quarta-feira.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na segunda-feira (18) que a ilha não representa uma ameaça. A expectativa é que a acusação sobre o ex-presidente cubano, que ainda não foi detalhada, envolva um incidente ocorrido há 30 anos: a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996.
O caso é considerado um dos episódios mais delicados da relação entre EUA e Cuba e ocorreu quando Raúl Castro era ministro da Defesa. A ilha estava então sob o comando de seu irmão, Fidel Castro (1926-2016).
As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos.
Da guerrilha ao poder
O episódio é mais um no percurso longo e errático das relações entre Raúl Castro e Washington.
Raúl Modesto Castro Ruz, que completa 95 anos no próximo dia 3, foi um dos guerrilheiros que esteve ao lado de Fidel e de Che Guevara em Sierra Maestra em 1958. O grupo depôs o ditador Fulgencio Batista no primeiro dia do ano seguinte e, em seguida, estabeleceu um regime socialista na ilha.
Apesar de ser um dos mais jovens do grupo, Raúl tomou decisões difíceis. São atribuídas a ele ordens de execução de agentes da ditadura após a fuga de Batista.
Atuando como ministro da Defesa de Cuba durante 50 anos, ele enviou centenas de milhares de militares para lutar pela independência de Angola e de outros países africanos, nas décadas de 1970 e 1980, no maior destacamento de Forças Armadas de um país latino-americano para fora da região.
Por décadas, ele permaneceu à sombra de Fidel. Quando seu carismático irmão adoeceu em 2006 e lhe cedeu o poder, Raúl, acostumado a estar nos bastidores, tomou a frente dos holofotes, conduzindo a ditadura cubana até se aposentar em 2021, aos 89 anos, entregando o posto a Miguel Díaz-Canel, o atual líder do regime.