Quinta-feira, 19 de Maio de 2022

Home Educação Reitor volta como aluno à sala de aula da universidade que dirige, e pelo sistema de cotas

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O reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Valdiney Gouveia — escolhido para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro em 2020 —, foi aprovado pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu 2022) para cursar uma graduação em engenharia de produção na instituição. Ele foi classificado pelo sistema de cotas como ingressante de escola pública e fez 638,9 pontos.

O portal g1 entrou em contato com o reitor, que confirmou a aprovação e também ter sido estudante de escola pública. No entanto, disse que não irá comentar a aprovação porque se trata de uma decisão da sua vida pessoal.

Nas redes sociais, o reitor publicou uma foto de cópias da ficha de identificação da escola em que estudava e do certificado de conclusão do, na época, 2º grau — hoje ensino médio. Segundo ele, reviu a documentação porque foi necessária para fazer a inscrição na chamada regular.

Ele também respondeu alguns comentários na publicação. “Somos muitos os de escolas públicas que temos nos empenhado para valer a pena cada centavo investido em nós”, escreveu em um deles. Em outro, disse: “o aprendizado continua”.

A princípio, conforme o regimento da UFPB e da Reitoria, não há impedimentos para essa situação. O edital do Sisu também não proíbe essa aprovação. A UFPB não quis se manifestar por ser uma questão da vida pessoal do reitor.

O Sindicato de Professores da Universidade Federal da Paraíba (AdufPB) se pronunciou, afirmando que do ponto de vista da legalidade talvez não exista empecilho e reforçando que “a identidade de um docente universitário é por sua qualificação ininterrupta”. Porém, levantou dois questionamentos do ponto de vista ético:

“1) Tirar uma vaga de alguém que possa estar começando sua vida, vindo de escola pública, buscando a sua primeira graduação, tendo em vista a escassez de vagas disponíveis nessa modalidade. Ser cotista é pra quem necessita da cota, uma forma de reparação de inúmeras injustiças sociais cometidas pelo Estado. Será que esse sujeito, sendo professor titular da UFPB e reitor, ainda nas condições que se deram, sem o aval da comunidade universitária, precisa de cota para fazer uma segunda graduação?

2) Os cargos de direção exigem integralidade e disposição. Como garantir a qualidade da gestão sendo estudante, ou a excelência de estudante sendo reitor? Talvez essas duas funções, do ponto de vista qualitativo, sejam incompatíveis”, diz a nota da AdufPB.

A AdufPB informou que vai avaliar a possibilidade de acionar o Ministério Público Federal.

Segundo o perfil de Valdiney Gouveia no sistema da UFPB, ele é lotado no Departamento de Psicologia da universidade, sendo professor titular de psicologia social e pesquisador do CNPq. Além da gradução em psicologia, ele é formado em direito por uma faculdade particular de João Pessoa e tem especialização em psicometria, mestrado em psicologia social e do trabalho e doutorado em psicologia social.

Nomeação

Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro nomeou Valdiney como o novo nome para comandar a reitoria da Universidade Federal da Paraíba. Ele e a vice-reitora Liana Filgueira Albuquerque pertenciam à chapa que ficou em 3º lugar no pleito da universidade.

Com votação inexpressiva na consulta eleitoral da UFPB, com menos de um décimo dos votos, a chapa de Valdiney perdeu em todos os segmentos: docentes, técnicos administrativo e estudantes; não obteve nenhum voto no Consuni (Conselho Universitário), e só entrou na lista tríplice à custa de uma liminar. A chapa de Terezinha/Mônica obteve 47 votos e a chapa Isac/Regina, 45 votos no Consuni.

Como aconteceu em outras 14 universidades do país, a nomeação se deu de forma arbitrária – mas não ilegal – do novo reitor. Por lei, é prerrogativa do presidente da República definir os nomeados para o cargo de reitor das Universidades Federais a partir da lista tríplice encaminhada pelas instituições.

Desde o governo Lula, o costume adotado era indicar o primeiro colocado da lista, que no caso seriam Terezinha e Mônica, da Chapa 2 – “Inovação com Inclusão”, que venceram as eleições com 964.518 votos (soma total ponderada e normalizada).

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