Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026

Home Colunistas Retirada de Maduro do poder todos esperavam. Quais as novidades?

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Até os admiradores do ditador Maduro, apesar de não declararem, tinham certeza de que era questão de tempo a retirada dele do poder; só não sabiam a logística e a estratégia dos Estados Unidos. Até aí, nada de novo.

As novidades aconteceram depois da chegada do casal Maduro a solo estadunidense, mas não pelos desdobramentos junto à Justiça, e sim pelas decisões políticas adotadas por Donald Trump na Venezuela. Antes de abordarmos os aspectos geopolíticos dessas decisões, seria oportuno ponderar sobre a atuação dos Estados Unidos na retirada de Maduro.

Muitos países e até a ONU (Organização das Nações Unidas) condenaram a forma adotada por Trump para tirar Nicolás Maduro do poder; todavia, uma pergunta não se cala: qual o método considerado legítimo que poderia ser utilizado?

Há quase 30 anos o povo venezuelano sofre significativa piora na qualidade de vida, na liberdade de expressão e nas garantias constitucionais. Desde o tempo de Hugo Chávez havia questionamento fundado sobre a validade das eleições, fato que restou escancarado na última apuração, quando muitos países e órgãos internacionais apontaram Edmundo González como vencedor em 2024. Até países como o Brasil, com fortes laços com o chavismo, não reconheceram Maduro como presidente legítimo.

As fraudes foram tão claras que as atas das urnas não foram mostradas, isto sem falar da proibição de Maria Corina Machado participar do processo eleitoral. Primeira possibilidade de o povo retirar o ditador do poder não funcionou e não funcionaria no futuro.

Que tal recorrer ao Poder Judiciário? Chávez mudou a lei e praticamente colocou todas as instâncias do Judiciário sob o controle do Poder Executivo. É praticamente impossível a Suprema Corte da Venezuela (controlada pelo governo) adotar qualquer postura contra Nicolás Maduro. Segunda possibilidade inviável.

Ainda restam os militares. A Venezuela conta com mais de 3.000 generais, número totalmente desproporcional à população de aproximadamente 30 milhões de habitantes. No Brasil, temos menos de 300 generais nas Forças Armadas, com mais de 210 milhões de habitantes. Hugo Chávez começou, e Maduro manteve, a nomeação de generais sem qualquer critério técnico, apenas para ter o controle das Forças Armadas, colocando vários deles como sócios das empresas estatais, recebendo dividendos generosos e auxiliados por Cuba e Rússia. Quem vai querer perder essa “boquinha”? Terceira alternativa descartada.

Nem tudo está perdido: vamos recorrer aos órgãos internacionais que denunciam as fraudes eleitorais, a falta de liberdade de expressão, detenções arbitrárias, julgamentos parciais etc. Creio que não é preciso explicar que, na prática, nada significam ou influenciam essas denúncias em governos ditatoriais. Isso já ocorre há décadas, e tanto Chávez quanto Maduro nunca perderam o sono com isso. Quarta alternativa abandonada por decurso de prazo.

O que mais pode se esperar de um povo oprimido, com fome, desalentado, sem medicamento, procurando alimento no lixo, sem perspectiva e abatido? Estima-se que quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país durante as ditaduras de Chávez e Maduro, ou seja, quase um terço da população não suportou as mazelas dos ditadores.

A promessa era dividir a riqueza e acabar com a exploração externa, sendo que, na realidade, o que ocorreu foi a proliferação da pobreza e o estabelecimento de uma “elite” fiel ao governo. A miséria se alastrou pela população de forma inimaginável, poupando apenas os amigos do “rei”.

A qualidade de vida do venezuelano piorou muito nos últimos 25 anos, período no qual a intervenção de Cuba e Rússia foi extremamente forte e aplaudida pelos ditadores. Na operação militar de retirada de Maduro pelos Estados Unidos, dos 40 militares que morreram, 32 eram cubanos em solo venezuelano.

Existe o interesse pela exploração do petróleo venezuelano e também pela influência geopolítica da região, e isso ninguém nega, mesmo porque há ditadores cruéis espalhados pelo mundo e ninguém se importa, pois nesses países não há petróleo ou riquezas minerais. Ou seja, o caso venezuelano juntou a fome com a vontade de comer. Tudo isso é claro e de fácil entendimento.

Por que Edmundo ou Corina não assumiram o poder, e sim a vice-presidente de Maduro? Apesar de ser radical, ela tem bom relacionamento com as empresas de petróleo estrangeiras, e Corina havia declarado que, se fosse eleita, faria leilão para exploração do petróleo.

Duas perguntas permanecem sem resposta: qual a outra alternativa real para a retirada de Maduro do poder e por que a intervenção é aceita quando praticada por governos de esquerda e condenada quando vem de governo de direita?

* Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi Presidente da TV Record e Superintendente da Rede TV, atualmente atua como correspondente internacional, Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e Rede Pampa nos Estados Unidos.

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