Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de fevereiro de 2026
A Rússia afirmou nesta segunda-feira (16) que rejeita veementemente as acusações feitas por cinco países europeus de que o Estado russo teria assassinado o crítico do Kremlin Alexei Navalny com uma toxina rara, supostamente derivada de rãs-flecha.
No sábado (14), os cinco países — aliados europeus — acusaram Moscou de ter envenenado Navalny enquanto ele estava detido em uma colônia penal no Ártico, há dois anos.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou a jornalistas que o governo russo considera as acusações falsas e infundadas.
“Naturalmente, não aceitamos tais acusações. Discordamos delas. Consideramos que são tendenciosas e infundadas. E, de fato, as rejeitamos veementemente”, afirmou Peskov.
Navalny foi um dos principais opositores do presidente da Rússia, Vladimir Putin. O ativista morreu aos 47 anos em uma prisão na Sibéria, onde cumpria pena superior a 19 anos após condenações por extremismo e fraude — acusações que sempre negou, classificando-as como perseguição política.
O opositor ganhou projeção internacional por sua capacidade de mobilizar manifestações contra o Kremlin e por denunciar supostos esquemas de corrupção envolvendo autoridades russas. Para muitos analistas, ele representava uma das ameaças mais significativas à hegemonia de Putin, que está no poder há mais de duas décadas.
Navalny tornou-se amplamente conhecido em 2008, ao publicar em seu blog denúncias sobre suposta corrupção em empresas estatais. Em 2011, destacou-se como um dos líderes dos grandes protestos que eclodiram após alegações de fraude nas eleições parlamentares daquele ano.
“Os que se reuniram aqui podem expulsar esses ladrões do Kremlin amanhã”, declarou durante um ato público em 2011.
Sua trajetória política sofreu reveses após condenações judiciais por peculato, no momento em que se preparava para disputar a prefeitura de Moscou. Ele negou as acusações e afirmou que os processos tinham motivação política. Em 2017, uma nova condenação o impediu de concorrer à Presidência da República contra Putin.
As investigações conduzidas por Navalny, especialmente vídeos sobre o patrimônio de autoridades russas, ampliaram sua visibilidade e também os riscos enfrentados por ele. Um dos materiais mais conhecidos abordava alegações sobre a riqueza do ex-primeiro-ministro Dmitry Medvedev e alcançou dezenas de milhões de visualizações no YouTube.
Em março de 2017, a divulgação desse conteúdo impulsionou grandes protestos antigovernamentais em diversas cidades russas. Milhares de pessoas foram às ruas, e o próprio Navalny acabou detido por 15 dias.
No mês seguinte, ele foi atacado com um corante antisséptico verde, que causou danos à visão de um de seus olhos.
“Se eles decidirem me matar, significa que somos incrivelmente fortes”, disse Navalny a apoiadores em uma de suas manifestações públicas.