Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024

Home em foco Saiba como são os mísseis Patriot que os Estados Unidos vão doar à Ucrânia

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Após meses de debate e muitos rumores, o governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente que enviará o seu sistema de defesa aérea mais avançado, o Patriot, para a Ucrânia, respondendo a pedidos de Kiev por ajuda urgente para a defesa contra ataques de mísseis e drones russos.

O sistema Patriot faz parte de um novo pacote de ajuda de US$ 1,8 bilhão para a Ucrânia, anunciado quando o presidente do país, Volodymyr Zelensky, viajou a Washington para se encontrar com o presidente americano, Joe Biden, e outras autoridades.

Os mísseis Patriot tornaram-se conhecidos a partir da guerra do Golfo Pérsico em 1991, quando uma série deles derrubou diversos mísseis Scud iraquianos em defesa de Israel. Ele é hoje um dos sistemas de defesa aérea mais procurados no mercado de armas americano, sendo usado pelas forças sauditas e dos Emirados no Iêmen e em toda a aliança da Otan na Europa. Israel ainda o usa, e agora a Ucrânia se soma à lista.

O Patriot é um míssil superfície-ar móvel e um sistema de míssil antibalístico que pode interceptar outros mísseis antes que estes atinjam os seus alvos. As baterias Patriot também podem derrubar aeronaves. Montados em caminhões, para serem transportados facilmente, cada sistema é capaz de conter quatro interceptadores de mísseis. Nos círculos militares, eles são vistos como um cobertor de segurança, destinado a proteger uma população, tropas ou até edifícios de ataques.

Os militares dos EUA usaram as baterias Patriot em vários conflitos nos últimos 30 anos. Mais recentemente, em janeiro, as tropas dos EUA na Base Aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, dispararam interceptadores Patriot contra mísseis direcionados à base, disse o Comando Central dos EUA.

Simbolismo

Kiev espera usar esse cobertor de segurança para ajudar a impedir ataques com mísseis. Desde que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a invasão da Ucrânia em fevereiro, Moscou lançou uma torrente de mísseis e ataques aéreos contra alvos civis e militares.

Mas nas últimas semanas, depois de uma retirada humilhante das tropas russas de Kherson — uma cidade ao Sul que Putin, apenas um mês, proclamara parte do território de seu país —, Moscou tem sido implacável. A Rússia atingiu usinas elétricas, sistemas de aquecimento e outras infraestruturas de energia ucranianas, deixando milhões de pessoas sofrendo com as temperaturas congelantes do inverno e sem eletricidade ou calefação.

Neste mês, ataques de drones russos na cidade portuária de Odessa, no Sul da Ucrânia, deixaram mais de 1,5 milhão de pessoas na escuridão. O governo de Kiev vê o sistema Patriot como uma forma de ajudar a fortalecer as defesas aéreas da Ucrânia.

Além do lado prático, Kiev entende haver vantagens simbólicas no sistema Patriot: ele prova de que os Estados Unidos, em vez de se cansaemr de apoiar a Ucrânia, estão intensificando esforços para ajudá-la a resistir à agressão russa.

Defesa

As baterias Patriot podem projetar defesas a cerca de 600 milhas. Embora estejam longe de serem infalíveis, eles podem mirar e derrubar mísseis balísticos de longo alcance e aeronaves a centenas de quilômetros de distância. Eles também têm sistemas de radar poderosos – melhores do que sistemas de defesa aérea comparáveis ​​- que tornam mais fácil para os Patriots diferenciar quem é amigo e quem é inimigo.

Um único míssil interceptador custa cerca de US$ 4 milhões, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. Cada lançador custa cerca de US$ 10 milhões. Isso pode limitar o seu uso a situações em que os ataques aéreos causarão muitos danos ou custarão vidas.

Críticas

Os mísseis Patriot têm muitos críticos; em 2018, uma matéria na revista Foreign Policy afirmou que os “mísseis Patriot são fabricados nos Estados Unidos e falham em todos os lugares”. Oficiais militares dos EUA disseram se tratar de uma hipérbole. Mas o público já foi enganado sobre o desempenho do Patriot antes. Durante a Guerra do Golfo, oficiais militares disseram que o sistema interceptou todos os mísseis Scud iraquianos, exceto dois. Mais tarde, o Pentágono teve que revisar esse desempenho para uma taxa de 50%.

Hoje, acredita-se que a taxa de eficácia seja maior, mas é difícil encontrar números precisos. Especialistas militares dizem que é importante saber como — e em quais circunstâncias — usar os mísseis.

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