Quinta-feira, 09 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de abril de 2026
Para muitos homens, o cuidado é uma atribuição essencialmente feminina. Elas cuidam dos filhos (e da casa) enquanto eles trabalham fora. É o que a ciência chama de centralidade da identidade de gênero. Outros exemplos? O choro e a fragilidade. A centralidade da identidade de gênero é o primeiro de oito indicadores de masculinidade tóxica listados em um estudo conduzido por pesquisadores da Austrália e da Nova Zelândia e publicado na revista Psychology of Men & Masculinities.
“Reconhecemos um homem tóxico quando vemos um, mas temos dificuldade para identificá-lo. Afinal, a masculinidade tóxica não é um transtorno que encontramos no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais)”, afirma Deborah Hill Cone, doutoranda da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e primeira autora do artigo. “É um conceito vago, mas bastante usado. Para definir o que é um homem tóxico, nos baseamos em conceitos como narcisismo e homofobia.”
Deborah se apressa em explicar que o estudo dela não é um teste online ou um questionário médico do tipo: “Quantos indicadores uma pessoa precisa ter para ser considerada tóxica?”. “Se eu tivesse que escolher o indicativo ‘mais tóxico’, escolheria o sexismo hostil. Ele se baseia na crença de que as mulheres querem obter vantagens injustas sobre os homens. Indivíduos com alto teor de sexismo hostil buscam punir mulheres que são vistas como violadoras das normas de gênero, como mulheres que ocupam cargos hierárquicos superiores ou que são adeptas do feminismo”, explica. “Já o sexismo benevolente ocorre quando os homens têm crenças paternalistas de que as mulheres são frágeis ou indefesas. Portanto, precisam da proteção deles.”
Mas, afinal de contas, o que é masculinidade tóxica? Quem explica é Jacob Johanssen, professor de Mídia e Comunicação da Universidade St. Mary, na Inglaterra. “É um termo complexo e complicado. Eu diria que o machismo se enquadra na masculinidade tóxica, mas a masculinidade tóxica abrange comportamentos mais extremos. O machismo está mais ligado ao sexismo e à misoginia em um sentido estrito, porque acredita que os homens são superiores às mulheres.”
Masculinidade tóxica não é o mesmo que machismo, diz Johanssen, mas há sobreposições. “É uma doença social causada pelo patriarcado. Portanto, não ficaremos curados desse mal enquanto não abolirmos o patriarcado.” Mas, se é também um comportamento, ele pode ser transformado: Karin Anzolch, da Sociedade Brasileira de Urologia, “prescreve” três remédios: educação em saúde, mudança de paradigma e exemplo social. “O verdadeiro sinal de força não é negar a vulnerabilidade. É ter coragem de enfrentá-la.”
8 traços de toxicidade
– Centralidade da identidade de gênero – Quando o homem rejeita as práticas femininas.
– Preconceito sexual – Determinados padrões de comportamento, como a normalização da violência, são impostos aos homens.
– Desagradabilidade – Sentimentos como medo, tristeza ou afeto são associados às mulheres. Por essa razão, precisam ser reprimidos.
– Narcisismo – Julgar-se superior às mulheres e, por isso, merecer cargos superiores e salários melhores.
– Sexismo hostil – As mulheres não são aliadas, são inimigas. Sentindo-se ameaçados, recorrem a sexismo e misoginia.
– Sexismo benevolente – Mulheres são vistas como pessoas frágeis e indefesas e precisam ser protegidas.
– Oposição à prevenção da violência doméstica – Os homens culpam as mulheres pela violência que elas sofrem.
– Orientação de dominância social – Há uma hierarquia social que precisa ser respeitada. Os homens, por serem supostamente mais fortes, devem ocupar posições superiores. Eles sempre são donos da última palavra em qualquer discussão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.