Segunda-feira, 13 de Abril de 2026

Home Economia Saiba o que fez a Bolsa brasileira subir 5% na semana e renovar recordes

Compartilhe esta notícia:

O Ibovespa (IBOV) fechou em alta na sexta-feira (10), renovando máximas e encerrando acima dos 197 mil pontos pela primeira vez, com agentes financeiros na expectativa de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã previstas para o fim de semana.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,12%, a 197.323,87 pontos, novo recorde de fechamento, após marcar 197.553,64 na máxima da sessão, novo topo intradia. Na mínima, registrou 195.129,25 pontos. Na semana, avançou 4,93%.

O volume financeiro na sexta-feira somou R$33,7 bilhões.

Autoridades norte-americanas e iranianas iniciaram reuniões em Islamabad, no Paquistão, poucos dias após o anúncio de cessar-fogo em uma guerra que começou no final de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e se espalhou pelo Oriente Médio.

Não se espera uma discussão fácil para um desfecho definitivo e ainda existem muitas incertezas, mas, por ora, tem prevalecido a avaliação positiva de que EUA e Irã estão buscando um caminho para reduzir as tensões.

Ibovespa

O Ibovespa tem resistido à aversão a risco e à busca por liquidez desencadeadas pelo conflito. Apesar do desempenho negativo em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de recursos, movimento que persiste em abril.

“Daqui para frente, assumindo que a trégua se mantenha, acreditamos que o Brasil continuará a apresentar bom desempenho”, avalia Emy Shayo, co‑head de estratégia de ações de mercados emergentes e chefe de estratégia para América Latina e Brasil, conforme relatório assinado também por Cinthya Mizuguchi.

Shayo ressaltou, porém, que vê uma rotação entre setores, com aqueles que mais sofreram desde o início da guerra – especialmente o setor financeiro – recuperando parte da liderança.

O JPMorgan tinha como cenário-base para o Ibovespa em 2026 o índice a 190 mil pontos sendo que, para ir aos 230 mil pontos no cenário otimista, exigiria uma mudança mais estrutural na história brasileira, com melhora fiscal mais crível, espaço maior para cortes de juros e compressão dos prêmios ao longo da curva.

Isso reforça a diferença entre o bom momento tático e a construção de uma tese estrutural. No curto prazo, o Brasil segue atraente dentro do universo emergente.

Cabe destacar que, entre o fim de março e início de abril, algumas casas haviam reforçado otimismo com o Ibovespa. O Safra elevou a projeção para o Ibovespa para 220 mil pontos no fim deste ano, enquanto o BB Investimentos seguiu com preço-alvo de 205 mil pontos para o índice.

“O Ibovespa já está perto dos 200 mil pontos que era a avaliação no início de ano, para o nível em que estaria, para muitos analistas, no fim de 2026. Pensando agora no fim do conflito, pode ir uns 35 mil pontos além disso, caso o câmbio favoreça, com dólar em patamar mais baixo. E caso os juros venham a cair mesmo, quem sabe em ritmo maior”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Ele cita também a possibilidade de acomodação do petróleo em patamar mais baixo, por volta dos US$ 70 por barril que prevaleciam antes do conflito, o que reduziria a pressão sobre as expectativas de inflação resultante do aumento dos custos de energia em todo o mundo.

Para Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, “o Ibovespa tem sido favorecido pela redução do prêmio de risco global, que destrava o apetite dos investidores e mantém os emergentes como alternativa de diversificação”. Um grupo de mercados em que “o Brasil permanece em posição de destaque, o que explica essas renovações de máximas” para o índice da B3, acrescenta.

O investidor estrangeiro tem sido chave para o apetite por renda variável, considerando, também, o refluxo do dólar que acompanha esse movimento de retirada de prêmios de risco, que resulta em apreciação de moedas de emergentes como o real, diz Barros. “Há momento favorável para a entrada de capital estrangeiro também na Bolsa”, avalia. Nesse contexto, o dólar à vista chegou a ser negociado a R$ 5,0055 na mínima de sexta-feira, em que fechou a R$ 5,0115, em queda de 1,03% na sessão e de 2,88% na semana. No mês, a moeda americana recua 3,23%.

“Mesmo com a fragilidade do cessar-fogo, o mercado comprou essa ideia, o que levou o Ibovespa a renovar máximas depois de algum tempo”, diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, em referência à interrupção momentânea da trajetória ascendente que se impôs ao Ibovespa ainda em meados de janeiro. E que de forma geral se estendeu, com poucos ajustes, até o fim de fevereiro quando eclodiu a guerra movida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. A partir daí, a oferta global de petróleo foi afetada, revertendo o espaço benigno que havia, até então, para a redução de juros ante o efeito percebido, de imediato, sobre a inflação. (Com informações do portal InfoMoney)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Desafio permanente: saiba o que faz os juros serem tão altos no Brasil
Mercado já olha para a Bolsa brasileira além dos 200 mil pontos em 2026
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa Na Madrugada