Gilmar Mendes tem demonstrado irritação nos bastidores, segundo fontes do Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação de quem acompanha de perto a rotina da corte, hoje claramente dividida, é a de que o atual decano precisou assumir o papel de principal defensor da instituição em um momento de pressão de todos os lados.
Antes, essa função de “escudo do STF” vinha sendo exercida por Alexandre de Moraes, agora fragilizado e mais exposto diante dos desdobramentos do caso do Banco Master.
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O ministro Gilmar comparou nessa quinta-feira (23) as críticas feitas à corte pelo candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) a retratar o ex-governador de Minas Gerais como homossexual e questionou se isso não seria “ofensivo”.
“Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições, imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? Ou se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso? Só essa questão. É isso que precisa ser avaliado”, afirmou o decano do Supremo em entrevista ao portal Metrópoles.
Em resposta ao ministro, Zema afirmou em publicação no X (antigo Twitter) que “só ofende quando tem fundo de verdade”. “Pode fazer o que quiser, minha consciência tá tranquila”, escreveu, após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) questionar se a fala de Gilmar não teria sido homofóbica.
O ex-governador mineiro também reagiu com um emoji de risada a uma imagem gerada por IA (inteligência artificial) que mostra um boneco dele segurando uma bandeira da comunidade LGBTQIA+ e uma placa onde está escrito “Zema com orgulho”.
Gilmar enviou enviou ao colega Alexandre de Moraes um pedido de investigação contra Zema no inquérito das fake news após o político divulgar, no mês passado, um vídeo em suas redes sociais em que um boneco que imita o magistrado conversa com outro que representa o ministro Dias Toffoli.
Nas imagens, o fantoche de Toffoli pede ao de Gilmar que suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, do Senado. O boneco do magistrado então anula a decisão.
Em troca, ele pede “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago, ‘tô’ a fim de dar uma jogadinha essa semana”, referindo-se ao Tayayá, que tinha participação de Toffoli e foi comprado por um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Moraes enviou o caso à PGR (Procuradoria-Geral da República), que ainda não se manifestou. O procedimento é sigiloso.
Durante a entrevista ao Metrópoles, Gilmar também disse que não tem “nenhuma disputa” com Zema e que não irá “perder tempo com esse tipo de debate”. O decano do tribunal afirmou que, “quando houver ofensa que mereça crítica judicial, o Estado de Direito está aí para responder”.
“Acho simplesmente que é legítimo que o partido dele defenda o que quiser. Não há nenhuma relevância em relação a isso. E os eleitores que tomem as decisões. Isso é absolutamente normal e está sempre sob controle. Acho até uma perda de tempo ficar dialogando com esse tipo da política”, afirmou. (Com informações de O Estado de Minas e da Folha de S.Paulo)



