Sábado, 23 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de julho de 2022
Um clássico mundial entre Brasil e a Argentina, no Maracanã, na frente de 80 mil torcedores. As arquibancadas não estavam tão abarrotadas quanto em outras ocasiões naquelas décadas. Ainda assim, não deixava de ser uma tarde grandiosa, na primeira vez em que o clássico ocorria no estádio. A Copa Roca servia para alimentar a rivalidade, assim como auxiliou as relações diplomáticas.
Naquele domingo, porém, a partida era vista como uma etapa de preparação a duas equipes que miravam a Copa do Mundo. Tanto brasileiros quanto argentinos sofriam com os desfalques, por diferentes motivos, e aproveitaram o amistoso para dar espaço a novos jogadores. Entre eles, um menino que começava a despontar com a camisa do Santos. Em 7 de julho de 1957, Pelé fazia a sua estreia na Seleção Brasileira – com derrota, mas com gol.
O craque de Três Corações ainda era um menino imberbe. Chegara de Bauru no ano anterior e, depois de dois jogos como profissional, se firmou no Santos durante o primeiro semestre de 1957. Quando recebeu a convocação, já acumulava 25 gols em 34 jogos. E estava no Rio de Janeiro na época do chamado de Pirillo. Os santistas formaram um combinado com vascaínos que não excursionaram, para alguns amistosos. Assim, o prodígio conquistou vários admiradores na imprensa da capital. Um deles era Geraldo Romualdo da Silva, notável articulista do Jornal dos Sports, de Mário Filho.
“Até onde, Pelé? Aos 16 anos e meio, apenas, esse menino-homem Pelé dia a dia se afirma como a mais importante das revelações como ‘forward’. Um fabuloso jogador com virtudes inatas, que raros têm apresentado no Brasil, como a facilidade inimitável em ver o arco e essa impressionante fertilidade de recursos, embora, a nosso juízo, perca muito a sua ferocidade quanto maior for a distância que o separa das balizas. De qualquer forma, é um caso novo, um autêntico fenômeno, que surge para luminosas jornadas no futuro”, escreveu, em 28 de junho. E foi além em sua coluna publicada quatro dias depois: “A subida vertiginosa de Pelé só se compara em termos à de Leônidas em 1929. Vivo, preciso, objetivo e atrevido, têm a vantagem de possuir base física e um talento inato para não se deixar ficar para trás no redemoinho das promessas não realizadas”.
Tudo parecia conspirar a favor de Pelé. Primeiro, pela própria oportunidade de jogar no Maracanã. O duelo contra a Argentina estava inicialmente marcado para o Pacaembu, mas um evento público da prefeitura de São Paulo provocou a transferência ao Rio de Janeiro. Em tempos nos quais o número de substituições não possuía uma regulamentação tão estática, os dirigentes concordaram em permitir três alterações durante os confrontos. O garoto seria um destes a sair do banco.
Em 7 de julho de 1957, Pelé vestiria a camisa amarela pela primeira vez. Sua estreia pela Seleção, todavia, seria massacrada na imprensa. Os hermanos venceram o jogo por 2 a 1. Segundo o Jornal dos Sports, Pelé mereceu uma nota 6 por seu primeiro jogo. Porém, o tempo passou e todos sabem o final da história.