Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home Educação Segunda fase do Enem tem questões sobre desastre em Mariana, Copa do Brasil e carros elétricos

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Estudantes que fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (28) encontraram questões sobre o desastre em Mariana, ocorrido em 2015, vários itens sobre energia e uso de combustíveis, além de uma questão de análise combinatória com uma tabela da Copa do Brasil. Os candidatos fizeram até as 18h30 as provas de Ciências da Natureza e Matemática. No domingo passado, foram realizados os testes de Ciências Humanas, Linguagens e Redação.

O Enem deste ano foi marcado pela crise interna no Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo exame. Às vésperas da prova, dezenas de servidores pediram exoneração de seus cargos por discordarem do presidente do Inep, Danilo Dupas.

Eles também relataram pressão pela retirada de questões consideradas “sensíveis”. Chegaram a ser removidas 24 perguntas de uma primeira versão da prova este ano. Depois, 13 itens voltaram para o exame.

Segundo Gabryel Real, gerente de Processos Avaliativos do SAS Plataforma de Educação, a prova deste domingo não trouxe surpresas nem questões polêmicas. “Foi uma prova com a cara do Enem, com situações-problema, que exigia habilidade de leitura de gráfico e com contextualizações relacionadas à vida do aluno.”

Entre as questões que chamaram a atenção, estava uma na prova de Ciências da Natureza que abordava o desastre de Mariana, em Minas Gerais, quando houve o rompimento de uma barragem da Samarco em 2015. “Falava sobre o impacto do desastre em Abrolhos, que fica bem distante e pedia para escolher algumas das espécies locais que foram afetadas pelos dejetos.”

Houve ainda várias questões sobre energia e combustíveis. Uma delas abordou o tema dos carros elétricos, destacando o entrave do tempo de recarga desses veículos. Apesar de a prova trazer à tona o tema de energia e combustíveis, não houve, segundo Real, menção explícita ao aquecimento global. Também não havia questões sobre a Floresta Amazônica.

Para Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli, a prova deste domingo demonstra, mais uma vez, o envelhecimento do Banco Nacional de Itens (BNI), de onde são tiradas as questões que compõem o Enem. Não havia itens relacionados a acontecimentos dos últimos anos — a pandemia de coronavírus, por exemplo, não apareceu. Textos de apoio para resolver as questões eram de pelo menos cinco anos atrás.

Não foram feitas novas questões para compor o BNI em 2020 e 2021, justamente por causa da pandemia. O tamanho do banco de questões do Enem hoje é limitado — não deve ter mais de 200.

Apesar de o banco estar mais velho, as questões faziam referência a temas que continuam atuais no Brasil. Uma delas comparava a dengue com o Ebola. O item abordava a taxa de letalidade e o tempo de incubação das doenças.

“Eram temas que já caíam em Biologia e nos fazem refletir sobre questões da atualidade”, diz Alvarez. Havia ainda uma referência ao fenômeno climático de ilha de calor em São Paulo — quando a temperatura aumenta em grandes centros urbanos por causa da concentração de asfalto e concreto.

Em Matemática, os estudantes se depararam com uma questão de análise combinatória que usava uma tabela da Copa do Brasil, de 2015. Curiosamente, encontraram lado a lado os escudos de Flamengo e Palmeiras, que disputaram neste sábado a final da Libertadores. “Vinte e uma questões envolviam leituras de gráficos e tabelas. É uma habilidade já esperada para a prova de Matemática e foi bem recorrente”, diz Real.

Para Mayara de Souza, professora de Matemática do Descomplica, a novidade na matéria foi uma questão de geometria especial que pedia o volume de tronco de cone. “Isso não caiu antes do Enem. Foi uma coisa inédita e que os alunos provavelmente tiveram dificuldade.” Também pode ter assustado os estudantes um item que resultava em uma equação de quarto grau.

Segundo Alvarez, a prova de Matemática foi um pouco mais difícil do que a do ano passado. Por outro lado, a de Química surpreendeu por não exigir tantos cálculos. “Essa prova foi rápida de fazer. Geralmente a prova de Química envolve muita conta e dessa vez veio com poucas e contas fáceis”, afirma o professor de Química do Descomplica, Allan Rodrigues.

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