Sexta-feira, 24 de Maio de 2024

Home em foco Sem dinheiro, ucranianos são forçados a voltar para casa

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Milhares de ucranianos que haviam atendido ao apelo das autoridades para deixar o país retornaram às comunidades rurais ou industriais próximas à linha de frente, apesar do risco considerável, pois não têm como arcar com os custos de viver em um lugar mais seguro.

Anna Protsenko deixou a região de Donetsk, no leste da Ucrânia, à medida que as forças russas se aproximavam. Tentou viver longe de sua cidade por dois meses, mas começar uma nova vida em outro lugar acabou saindo caro e ela voltou para casa para trabalhar na pequena cidade de Pokrovsk – ela foi morta pelo impacto de um míssil dois dias depois.

Segundo o gabinete do prefeito de Pokrovsk, na região de Donetsk, 70% das pessoas que fugiram da cidade, desde o começo da guerra, voltaram para casa. Na cidade de Kramatorsk, também no leste da Ucrânia, as autoridades disseram que a população caiu para cerca de 50 mil, dos 220 mil nas semanas seguintes à invasão da Rússia, mas desde então aumentou para 68 mil.

É frustrante para as autoridades ucranianas ver civis no caminho da guerra, mas os moradores da região de Donetsk também estão frustrados. Alguns dizem se sentir indesejados por falarem russo entre a população de origem ucraniana de outras partes do país.

No entanto, mais frequentemente, a falta de dinheiro é o problema. Em Kramatorsk, algumas pessoas na fila da entrega de caixas de ajuda humanitária disseram que eram pobres demais para deixarem suas casas. Donetsk vem sendo arrasada por conflitos desde 2014, quando separatistas apoiados pela Rússia começaram a lutar contra o governo da Ucrânia. “Quem vai cuidar de nós?”, perguntou Karina Smulska, que retornou a Pokrovsk um mês após deixar a cidade. Agora, aos 18 anos, ela é a responsável financeira de sua família, trabalhando como garçonete.

Falta de ajuda

Após o início do conflito, em 24 de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) assinou uma ordem executiva permitindo que cidadãos ucranianos e apátridas deslocados pela guerra vivam e trabalhem no país com visto humanitário. Aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) foram enviados para buscar os brasileiros e também ucranianos que desejassem vir para cá.

“É uma pena deixar o Brasil, que é um país muito bonito. Mas não conseguimos ajuda. Fizemos tudo com a ajuda de voluntários”, diz a ucraniana Iaroslava Moroz, de 44 anos, e a sua filha de 18 anos. Ela retornou à Ucrânia por falta de auxílio do governo brasileiro. Com barreira da língua, refugiados afirmam que não receberam informações sobre como conseguir moradia ou trabalho e vivem de favor.

Antes da guerra, entre janeiro de 2010 e dezembro de 2021, mais de 3.300 ucranianos registraram residência no país. Quase 2.300 registros de residência foram realizados na região Sudeste, principal destino dos imigrantes ucranianos. Juntamente com os poloneses, os ucranianos compõem o maior contingente de imigrantes eslavos por aqui, segundo o Ministério da Justiça.

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