Domingo, 26 de Julho de 2026

Home Economia Setores da economia brasileira afetados pelo tarifaço de Trump tentam reverter o fim da taxa das blusinhas

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Convidados pelo governo federal para discutir o impacto do novo tarifaço americano, setores afetados também pelo fim da taxa das blusinhas aproveitaram o momento para reclamar da inundação de produtos asiáticos no Brasil e fazer apelos por soluções às autoridades. Os setores querem medidas de defesa comercial do país, desoneração tributária para os produtos concorrentes fabricados no Brasil e há também uma pressão no Congresso para deixar a medida provisória (MP) enviada em maio pelo governo caducar.

Para parte da indústria nacional, o tarifaço é um novo golpe após a isenção do imposto de importação sobre as remessas internacionais de até US$ 50, com a diferença que a desoneração dos produtos asiáticos foi obra direta do Palácio do Planalto. A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi motivada pelo efeito negativo que a taxa das blusinhas gera sobre a popularidade do presidente, que tenta a reeleição nas eleições de outubro.

Desde 2024, compras de até US$ 50 tinham imposto de importação de 20% — além de ICMS, geralmente em 17%, que permanece. Números do programa Remessa Conforme, da Receita Federal, mostram que em junho, após a isenção, foram declaradas 28 milhões de encomendas de pequeno valor, alcançando R$ 2,6 bilhões. Esse volume representa mais que o dobro das remessas do mesmo período do ano passado, de 13,2 milhões (R$ 1,5 bilhão). Em abril deste ano, antes da MP, a quantidade de remessas somava 16,4 milhões (R$ 1,8 bilhão).

O assunto foi mencionado durante as conversas dos empresários com o governo sobre o tarifaço, comandadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

Um dos participantes das reuniões, o presidente da Associação Brasileira de Indústrias Calçadistas (Abicalçados), Haroldo Ferreira, destacou às autoridades brasileiras o aumento expressivo das importações tradicionais, fora o e-commerce que, segundo ele, está “sem controle algum”.

Os setores de calçados e têxtil são exemplos de segmentos acossados dos dois lados: sofrem com as tarifas americanas, que tende a reduzir mercado, e pela entrada de material importado, que reduz o apetite interno.

Segundo Ferreira, o segmento não consegue medir o impacto das compras em plataformas internacionais, mas só na primeira metade de 2026 as importações tradicionais já cresceram 15,9%, com a entrada de 25,9 milhões de pares de sapatos, volume 5 vezes maior do que a indústria exportou para os EUA. As principais origens das importações para o Brasil são China, Vietnã e Indonésia.

“Se freasse um pouco o aumento expressivo das importações, ajudaria a compensar um pouco a redução das exportações para os EUA. Faz parte de um pacote de medidas”, disse Ferreira.

O presidente da Abicalçados explica que já foi formalizado junto ao MDIC um pleito para implementar as licenças não automáticas de importação para o setor. Dessa forma, qualquer envio de produtos para o Brasil precisaria abrir um processo de autorização, que incluiria uma análise mais aprofundada sobre o importador, a mercadoria e cumprimento das exigências, como o pagamento da tarifa antidumping, que já existe para a China.

Outras salvaguardas também foram demandadas nas reuniões sobre o tarifaço, como cotas de importação. As medidas de defesa comercial dependeriam apenas de uma decisão do próprio governo.

Também presente à reunião sobre tarifaço, Fernando Pimentel, superintendente-executivo da Associação Brasileira de Produtos Têxteis e Confecção (Abit), afirmou que o tema da taxa das blusinhas foi colocado no âmbito das medidas que trariam maior igualdade concorrencial e regulatória para o setor.

A manutenção do imposto de importação para pequenas encomendas, na visão de Pimentel, faz parte de um pacote estrutural maior de competitividade que ajudaria as empresas afetadas pela política protecionista de Trump.

O representante da Abit classifica o fim da cobrança, estabelecido pela MP, como um “crime de lesa-pátria”, mas afirma que o setor também vem sofrendo com a concorrência da importação tradicional, que vem crescendo pelos excedentes de produção no mundo e pela vantagens que os países, principalmente da Ásia, dão a seus fabricantes.

“O setor está sendo atacado por todos os lados, ou seja, pelas importações convencionais e pelas importações das pequenas encomendas, nesse caso sem pagamento de imposto, que é um absurdo, isso é um crime de lesa-pátria”, diz Pimentel.

O executivo destaca que já houve perda de 13 mil postos formais de trabalho no setor têxtil nos últimos 12 meses e a produção no vestuário caiu 5,6% de janeiro a maio deste ano. Por outro lado, Pimentel nota que dobrou o volume de remessas internacionais em junho ante o mesmo mês de 2025 e as importações tradicionais cresceram 50% no primeiro semestre de 2026. (Com informações do jornal O Globo)

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