Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home em foco Sintomas, vacinas e risco de transmissão: veja tudo o que a ciência sabe sobre a nova variante de preocupação do coronavírus

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Pouco mais de uma semana após cientistas em Botsuana e na África do Sul alertarem sobre uma nova variante do Sars-CoV-2, ainda temos mais perguntas do que respostas sobre ela. No dia seguinte ao alerta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a B.1.1.529 como uma variante de preocupação (VOC), que passou a se chamar Ômicron.

Quais os sintomas? Como ela é diagnosticada? As vacinas atuais são eficazes contra ela? Pesquisadores do mundo todo estão correndo para detalhar as respostas sobre essas e tantas outras questões e, assim, esclarecer a real ameaça que a Ômicron representa. Alguns esclarecimentos ainda levarão alguns dias ou semanas para virem à tona.

1) Onde foi detectada a variante Ômicron?

O primeiro país a notificar a Ômicron foi a África do Sul, que emitiu um alerta à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 24 de novembro. Segundo a OMS, as análises encontraram a variante pela primeira vez na amostra de um teste coletado em 9 de novembro. Com o anúncio da nova cepa, outros países passaram a sequenciar os genomas dos vírus encontrados em pessoas que testaram positivo para a covid-19.

Na Holanda, por exemplo, um viajante testado em 19 de novembro já apresentava a Ômicron, o que mostra que a nova variante já estava circulando pela Europa antes de a África do Sul investigar o aumento de casos repentinos e descobrir a nova cepa. A Nigéria, por sua vez, encontrou a Ômicron em uma amostra coletada em outubro.

2) Quais são os sintomas?

O primeiro sinal de que as novas infecções por covid-19 estavam diferentes foi observado pela médica sul-africana Angelique Coetzee ao atender pacientes com sintomas diferentes dos normalmente apresentados por aqueles que eram acometidos pela Delta. Os novos pacientes queixavam-se de cansaço, dores musculares, coceira na garganta ou garganta arranhando. Em poucos casos, apresentavam também febre baixa e tosse seca.

3) A Ômicron é mais transmissível que as outras cepas?

De acordo com a OMS, tudo indica que a Ômicron seja mais transmissível do que as outras variantes, incluindo a Delta, mas isso ainda não está definido. A África do Sul relatou um aumento de testes positivos para covid-19 em áreas onde a variante está circulando. Estudos epidemiológicos estão em andamento para entender se o aumento de casos foi provocado pela nova cepa ou por outros fatores.

Evidências preliminares sugerem que pode haver um risco aumentado de reinfecção com a Ômicron (ou seja, pessoas que já tiveram covid-19 podem ser reinfectadas mais facilmente com a nova cepa), em comparação com outras variantes preocupantes. Porém, por enquanto, as informações são limitadas. Mais dados sobre isso estarão disponíveis nos próximos dias e semanas, de acordo com a organização

4) Quais são os tratamentos contra a nova variante?

Segundo a OMS, corticosteroides (como a dexametasona) e medicamentos bloqueadores da interleucina-6 (como tocilizumabe e sarilumabe) ainda são indicados para o tratamento de covid-19 grave causada por qualquer tipo de variante. Outros tratamentos serão avaliados para ver se eles ainda são tão eficazes, dadas as alterações em partes do vírus na variante Ômicron.

5) As atuais vacinas funcionam contra a Ômicron?

A grande dúvida a ser respondida é exatamente essa. Ainda não se sabe se as vacinas são menos eficazes contra a Ômicron, mas existe esse risco devido às mutações encontradas na variante. A maioria delas está na proteína Spike, que é o principal alvo das vacinas disponíveis atualmente.

Além disso, a nova cepa possui a mutação E484K, também encontrada na Beta. Essa mutação comprovadamente escapa aos anticorpos monoclonais e tinha a capacidade de escapar das vacinas. As principais desenvolvedoras dos imunizantes disponíveis — Pfizer-BioNTech, Oxford-AstraZeneca, Moderna e Johnson & Johnson — já iniciaram testes para avaliar a eficácia de seus imunizantes contra a variante.

6) Quantos casos há no Brasil?

Até o momento seis casos da nova variante foram confirmados no Brasil. São três em São Paulo, dois no Distrito Federal e um no Rio Grande do Sul, de pessoas que retornaram do continente africano.

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