Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 22 de janeiro de 2026
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre concluiu nessa quinta-feira (22) o fechamento definitivo, por meio de concretagem, das comportas 8, 10, 13 e 14 do sistema de proteção contra enchentes no dique da avenida Castelo Branco (Zona Norte). Iniciadas há seis meses, as obras eliminaram as passagens que integravam a estrutura.
“Essas são aquelas obras que pouca gente vê, pois estão do lado do rio, mas essenciais para proteger a cidade”, ressalta o prefeito Sebastião Melo. “Foi pela comporta de número 14 o maior ingresso de água nos bairros Humaitá e Farrapos em maio de 2024, por isso havia forte demanda da comunidade pela medida. Estamos fechando outros trechos, além de reforçar as comportas que permanecerão móveis.”
Projetado na década de 1960 pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), o sistema de defesas contra inundações na capital gaúcha contava com 14 comportas até a enchente recorde de quase dois anos atrás. O objetivo era facilitar a mobilidade local e o acesso à área portuária.
No decorrer das últimas décadas, muitas dessas estruturas deixaram de ser utilizadas. A prefeitura então avaliou que a eliminá-las causaria impacto mínimo à rotina da população.
Um total de sete passagens já deixaram de existir em razão das obras iniciadas pelo Dmae após a enchente. Além das quatro fechadas recentemente, foram extintos há pouco menos de um ano os antigos portões 3, 5 e 7, localizados no Muro da Mauá (Centro Histórico).
A comporta 9 também está com seus dias contados. Já em andamento, a obra com essa finaldade exige o desvio de uma linha subterrânea de energia elétrica, trabalho que deve ser concluído nos próximos meses.
“Também estamos atuando na melhoria das comportas móveis. Os portões 1, 2, 4 e 6 foram revisados e encontram-se em condições adequadas para a operação, se necessário”, explica o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone. “Também está em andamento a fabricação das novas proteções das passagens 11 e 12, reprojetadas para atender às necessidades da região, também impactada por fatores como o curso do rio Jacuí”.
Etapas
A obra de fechamento definitivo de uma comporta exige, entre outras etapas, a sondagem do solo e a implantação de estacas, que dão sustentação à estrutura construída em concreto armado. No caso da comporta 14, por exemplo, a obra atingiu 20 metros de profundidade em relação ao solo. Com isso, é garantido o suporte a esforços hidráulicos e hidrodinâmicos em caso de novas cheias dos rios.
Desde a catástrofe climárica de 2024, a modernização da estrutura soma ao menos R$ 11 milhões em investimentos. O montante inclui R$ 9,4 milhões aprovados junto ao Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), administrado pelo governo do Rio Grande do Sul.
Situação
– Comporta 1: Usina do Gasômetro: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade.
– Comporta 2: Cais Embarcadero: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade.
– Comporta 3: Mauá x Padre Tomé: extinta por meio de construção em concreto armado.
– Comporta 4: Mauá x Sepúlveda: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade.
– Comporta 5: Mauá: extinta por meio de construção em concreto armado.
– Comporta 6: Catamarã: móvel; recebeu melhorias de vedação e mobilidade.
– Comporta 7: Mauá: extinta por meio de construção em concreto armado.
– Comporta 8: extinta por meio de construção em concreto armado.
– Comporta 9: Castelo Branco: em obras para fechamento em concreto armado.
– Comporta 10: Castelo Branco: extinta por meio de construção em concreto armado.
– Comporta 11: São Pedro: em obras; será móvel e substituída por nova estrutura.
– Comporta 12: Cairu: em obras; será móvel e substituída por nova estrutura.
– Comporta 13: Castelo Branco: extinta por meio de construção em concreto armado.
– Comporta 14: Castelo Branco x Voluntários da Pátria: extinta por meio de construção em concreto armado.
(Marcello Campos)