Sábado, 19 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de setembro de 2026
A maioria (59%) dos trabalhadores brasileiros quer se aposentar até os 60 anos, mas apenas 28% acredita que vai conseguir alcançar esse objetivo. Os dados são da quarta edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, realizada pelo Datafolha a pedido da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).
O levantamento, que ouviu 1.908 pessoas em todo o Brasil, aponta que 32% dos trabalhadores estimam que só vão se aposentar a partir dos 61 anos. Outros 11% acreditam que nunca conseguirão parar de trabalhar e 12% declararam não ter a intenção de se aposentar.
A perspectiva é acompanhada pela fragilidade do planejamento financeiro e pela alta dependência da Previdência Social (INSS). Aproximadamente 65% dos entrevistados não sabem quanto vão receber de aposentadoria pelo INSS, e 53% estimam que devem ganhar cerca de um salário mínimo. Entre os que já estão aposentados, o INSS é a principal fonte de sustento para 92%.
Ainda segundo a pesquisa, 56% dos entrevistados que pretendem contar com o INSS acreditam que terão de cortar gastos para se manter, 25% esperam preservar o modo de vida atual e 16% acham que não terão como se sustentar ou passarão por dificuldades.
* Adesão baixa a seguros e previdência privada
Apesar das preocupações com a Previdência Social e da importância atribuída à proteção da família, a contratação de previdência privada continua baixa.
Apenas 9% dos entrevistados têm previdência privada e 18% possuem seguro de vida. No total, 41% declaram ter algum produto do setor. O auxílio-funeral é o mais comum, cobrindo 30% da população. O seguro contra invalidez alcança 10%, a proteção contra doenças graves chega a 7% e o seguro prestamista representa 6%.
A pesquisa também mostra que somente 13% dos entrevistados lembraram dos seguros e da previdência privada como meios de proteção contra imprevistos. Já 42% indicaram que a principal forma de se proteger é poupar ou investir por conta própria.
Outro dado é que apenas 12% dos brasileiros entendem o significado correto do termo “prêmio” no mercado de seguros.
Durante o XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, realizado na quarta-feira (16), em São Paulo, o diretor estatutário da Fenaprevi e diretor-executivo de Soluções de Acúmulo da Porto Bank, Carlos Eduardo Gondim, defendeu a simplificação do vocabulário do setor.
“Como podemos nos conectar melhor com as pessoas, deixando de falar ‘segurês’ e falando em português claro?”, declarou Gondim. O executivo também destacou o papel dos distribuidores: “As pessoas não desejam aquilo que não conhecem. Sendo assim, precisamos ser proativos na oferta, e o corretor tem um papel essencial de alcançar essas pessoas, explicar e ajudar no planejamento”.
* Prêmio é mal compreendido
O levantamento aponta ainda que 45% das pessoas sem seguro consideram o serviço caro sem nunca terem feito uma cotação ou pesquisado os custos.
Gondim afirmou que adiar o início das aplicações aumenta o esforço necessário para poupar no longo prazo. Segundo ele, para alcançar R$ 1 milhão aos 70 anos, considerando ganho real de 4% ao ano, quem começa a investir aos 30 anos precisa guardar cerca de R$ 860 por mês. Aos 45 anos, o valor sobe para aproximadamente R$ 2 mil mensais.
“O nosso desafio é trazer essa discussão o quanto antes. Quanto mais cedo o tema for abordado, mais acessível será a construção dessa reserva”, destacou.
* Disputa com apostas virtuais
A pesquisa mostra diferença entre a preocupação dos brasileiros com a saúde e a adoção de medidas de proteção. O medo de ficar sem atendimento médico em caso de doença preocupa 72% da população, mas apenas 28% tomaram alguma atitude para se proteger.
O medo de perder um familiar preocupa 70% dos entrevistados, enquanto 22% se preparam para essa possibilidade. Já o risco de contrair uma doença grave gera apreensão em 63%, mas somente 34% mantêm medidas de prevenção.
A pesquisa também aponta a presença das apostas online no orçamento das famílias, especialmente entre os mais jovens.
A vice-presidente da Fenaprevi e CEO da Brasilprev, Ângela Assis, afirmou que a escolha de prioridades influencia a contratação de produtos de proteção. Segundo ela, uma parcela da população de até 35 anos gasta, em média, R$ 200 por mês em apostas.
“Com R$ 200 mensais é plenamente possível contratar um plano de previdência ou um seguro de vida nessa faixa etária. Portanto, a questão nem sempre é a falta de capacidade financeira, mas sim a comunicação e a priorização”, avaliou.
* Novas demandas de coberturas em vida
Mesmo com os atuais obstáculos, 64% dos brasileiros declararam intenção de contratar ou renovar ao menos um seguro ou plano de previdência no próximo ano.
As intenções incluem seguro funeral (47%), vida (43%), invalidez (37%), doenças graves (36%) e previdência privada (33%).
Além disso, 80% afirmaram que contratariam um produto multifuncional que reunisse aposentadoria, indenização por doenças graves, diárias de internação e suporte a planos de saúde. (Com informações do portal InfoMoney)