Sábado, 22 de Agosto de 2026

Home em foco Sob aplausos e protestos no Parlamento português, Lula condena a invasão da Ucrânia e pede reforma da ONU

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou os seus compromissos oficiais em Portugal, na manhã desta terça-feira (25), com um discurso no Parlamento do país, no qual condenou a violação territorial da Ucrânia e pediu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

A fala do petista na Assembleia da República, no dia do aniversário da Revolução dos Cravos, também foi marcada pelo antagonismo entre os aplausos da maioria da casa e os protestos de parlamentares de direita e extrema-direita, que levaram cartazes e fizeram barulho.

“O Brasil compreende a apreensão causada pelo retorno da guerra à Europa. Condenamos a violação da integridade territorial da Ucrânia. Acreditamos em uma ordem internacional fundada no respeito ao direito internacional e na preservação das soberanias nacionais”, disse Lula.

“Ao mesmo tempo, é preciso admitir que a guerra não poderá seguir indefinidamente. A cada dia que os combates prosseguem, aumenta o sofrimento humano, a perda de vidas, a destruição de lares”, acrescentou o presidente.

“As crises alimentar e energética são problemas de todo o mundo. Todos nós fomos afetados, de alguma forma, pelas consequências da guerra. É preciso falar da paz. Para chegar a esse objetivo, é indispensável trilhar o caminho pelo diálogo e pela diplomacia”, completou o petista.

Ao tratar da governança global e alternativas do multilateralismo, o presidente brasileiro disse que o Conselho de Segurança da ONU se encontra “praticamente paralisado” e que sua composição, determinada no fim da Segunda Guerra Mundial, “não representa a correlação de forças do mundo contemporâneo”.

Repetindo uma demanda brasileira antiga e já reiterada em outros compromissos da visita a Portugal, Lula afirmou: “Defendemos uma reforma que resulte na ampliação do Conselho, de maneira que todas as regiões estejam representadas de forma permanente, de modo a torná-lo mais representativo em seu processo deliberativo e mais eficaz na implementação de suas decisões”.

Protestos 

Parlamentares de partidos de direita e extrema-direita realizaram protestos diante da presença de Lula na Assembleia da República. A bancada do partido Iniciativa Liberal optou por se retirar do plenário e deixar suas cadeiras vazias. Já os parlamentares do partido de extrema-direita Chega levaram cartazes e bateram com as mãos na bancada do Parlamento enquanto Lula falava.

O presidente do Parlamento português, Augusto Santos Silva, do Partido Socialista, pediu que Lula interrompesse o discurso e cobrou respeito dos colegas. “Chega de insultos, chega de envergonhar as instituições, chega de envergonhar o nome de Portugal”, disse o político português.

No fim do seu discurso, sem mencionar o Chega, Lula afirmou: “Que Deus abençoe Portugal, abençoe o Brasil, e viva a liberdade e a democracia. E não ao fascismo político e injusto”.

Após o evento, Santos Silva pediu formalmente desculpas a Lula em nome do Parlamento português. Depois de cumprir agenda em Portugal, o presidente brasileiro viajou para Madri, na Espanha.

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