Quarta-feira, 01 de Abril de 2026

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Inaugurada em 1985, a redemocratização brasileira trouxe uma promessa de restauração das liberdades civis e de melhoria da qualidade de vida.

Na primeira década depois de implantada, o país viveu um período de grande instabilidade econômica, com os preços subindo diariamente. Para conter o processo inflacionário foram testados sucessivos planos econômicos (Cruzado, em 1986; Bresser, em 1987; Verão, em 1989 e Collor em 1990), todos eles malsucedidos. A inflação mantinha-se em patamares superiores a 500% ao ano, impondo uma rotina de imprevisibilidade e incertezas.

Com o advento do Plano Real, em 1994, a inflação caiu substancialmente, recuando para patamares de um dígito ao ano. Os indicadores de progresso melhoraram, exceto o de crescimento econômico, que permaneceu modesto, ao redor de 2% ao ano – ritmo que se estenderia pelas décadas seguintes. A política de juros altos, usada para conter a inflação, somada aos sucessivos déficits fiscais, aumentava a dívida pública. Se em 1985 ela equivalia à metade do Produto Interno Bruto, cresceu substancialmente nos anos seguintes até alcançar o atual índice de 91,4% do PIB, o mais elevado da América do Sul..

Comparado ao desempenho de outros países, o contraste é eloquente. Em 1980 o Brasil figurava entre as oito maiores economias do mundo, à frente da China, que recém ensaiava os primeiros passos da sua transformação. Crescendo ao longo de quatro décadas a taxas de 9% ao ano, a China tornou-se a segunda maior economia do planeta, com um PIB nove vezes superior ao brasileiro. E outros países também experimentaram um crescimento acelerado, como a Índia, Coreia do Sul, Vietnam, Etiópia, Senegal e Uganda, enquanto o Brasil permanecia contido em seu desenvolvimento.

O quadro de estagnação se repetiu na renda per capita da população. O modesto avanço, de 1% ao ano, contrastava com o dinamismo das economias que aceleraram o seu crescimento. A indústria de transformação, tradicional catalizadora do crescimento econômico, perdeu fôlego no Brasil, reduzindo a sua participação no PIB, de 25% ao ano em 1990 para os atuais 12%.

Mas nem tudo evoluiu negativamente. Em meio à tantas dificuldades, um setor floresceu com vigor: o agronegócio. O país, antes dependente da importação de alimentos, tornou-se autossuficiente e, mais do que isso, um dos celeiros do mundo, capaz de alimentar mais de um bilhão de pessoas além de suas fronteiras. Na soja, por exemplo, o valor das exportações saltou de 4 bilhões de dólares no ano 2000 para aproximadamente 50 bilhões de dólares em 2025. Sem o desempenho do agro, o país estaria enfrentando hoje um expressivo déficit na balança comercial externa. E outros produtos seguiram uma trajetória semelhante, consolidando o Brasil como líder mundial na exportação de carnes (bovina, suína e de frango), de fibras (algodão e celulose), de café, suco de laranja, milho, açúcar, álcool, tabaco e outros. Enquanto a economia como um todo caminhou a passos contidos, o campo avançou com firmeza, revelando-se como uma das faces mais dinâmicas do Brasil contemporâneo.

(Eduardo Allgayer Osorio – Engenheiro Agrônomo, Professor Titular da UFPEL, aposentado)

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