Terça-feira, 20 de Outubro de 2026

Home Variedades Sono e alimentação interferem diretamente no bem-estar e também sinalizam o que não está bom

Compartilhe esta notícia:

Uma noite de sono mal dormida pode desencadear um ciclo em que o cansaço acumulado reduz a energia e a disposição, levando à busca por conforto na alimentação e a escolhas menos equilibradas. Esse fenômeno mostra que sono, nutrição e saúde mental são indissociáveis e influenciam diretamente a memória, a concentração e a estabilidade emocional.

A conexão entre os três fatores ajuda a explicar por que cuidar da saúde mental não significa olhar apenas para questões emocionais, mas para quaisquer mudanças relacionadas à rotina, já que uma alteração em um dos pilares pode repercutir nos demais.

Arthur Guerra, psiquiatra considera sono e alimentação importantes “termômetros” da saúde mental. Alterações persistentes nesses dois aspectos podem ser sinais de que algo não está bem.

— Quando falamos de saúde mental, a primeira coisa que vemos é a alimentação, junto com o peso, e o sono. Eles são termômetros.

Os especialistas alertam que o impacto dessa tríade vai além da indisposição pontual. O desequilíbrio persistente pode afetar a saúde a longo prazo, elevando o risco de doenças crônicas e transtornos mentais, o que torna o ajuste de hábitos uma estratégia de prevenção essencial na vida contemporânea.

O sono

Dormir não significa apenas interromper as atividades do dia. Durante o período de descanso, o organismo realiza processos importantes para o funcionamento cerebral, incluindo aqueles relacionados à memória, ao aprendizado e à regulação emocional. Por isso, a privação de sono pode se manifestar de diversas maneiras no dia seguinte, mesmo quando a pessoa não percebe imediatamente que está dormindo mal.

—Existe uma relação bidirecional. A saúde mental altera o sono e o sono altera a saúde mental. A privação de sono aumenta a impulsividade e a irritabilidade no dia seguinte, além de alterar o apetite. O sono tem uma função homeostática, de regulação do organismo, e não deve ser encarado simplesmente como um período em que deixamos de produzir — afirma Marcelo Gobbo, médico da família e consultor da Afya.

Além da irritabilidade, dificuldade de concentração, problemas de memória e sonolência durante o dia também estão entre os sinais de que o descanso pode não estar sendo suficiente, segundo Gobbo. Existe ainda o chamado sono não reparador, no qual a pessoa dorme, mas acorda sem a sensação de ter recuperado plenamente as energias.

Guerra alerta que a insônia pode levar à depressão:

—Existem três diferentes tipos de insônia, incluindo aquela em que a pessoa tem dificuldade para pegar no sono, a que provoca despertares ao longo da noite e a chamada insônia terminal, quando a pessoa acorda antes do horário desejado e não consegue voltar a dormir— afirma.

A necessidade de sono varia entre indivíduos, mas, para a maioria dos adultos, costuma ficar entre sete e nove horas por noite. Mais importante do que seguir um número rígido, porém, é observar a qualidade do descanso e os efeitos que ele produz durante o dia.

De acordo com Gobbo, dormir muito, assim como dormir pouco, também representa uma tensão para o organismo e pode ter consequências cardiovasculares.

Atenção à mesa

A relação entre sono e alimentação também acontece no sentido contrário. Uma rotina alimentar desorganizada pode interferir no funcionamento do organismo e na disposição ao longo do dia. Em períodos de estresse e ansiedade, a comida ainda pode assumir uma função emocional, fazendo com que alimentos muito palatáveis sejam procurados como fonte de prazer ou conforto.

Para a nutricionista Priscilla Hardt, a conexão entre intestino e cérebro ajuda a compreender parte dessa relação. A alimentação fornece energia e nutrientes necessários ao funcionamento do organismo e pode influenciar a disposição e o bem-estar.

— Existe uma ligação muito íntima entre cérebro e intestino. A saúde intestinal é muito importante para o aproveitamento de vitaminas e nutrientes e para todo o funcionamento do organismo. A alimentação também precisa fornecer energia de maneira adequada. Por isso, a qualidade e a regularidade das refeições são fatores importantes para evitar grandes oscilações e contribuir para que a pessoa tenha mais ânimo e disposição ao longo do dia.

Segundo a nutricionista, o padrão alimentar também importa. Alimentos ultraprocessados e ricos em carboidratos simples podem provocar uma elevação mais rápida na quantidade de açúcar no sangue, seguida de uma queda de energia e sensação de indisposição. Já as fontes de carboidratos mais complexos tendem a proporcionar uma liberação de energia mais gradual.

A busca por comida também pode mudar em momentos de maior tensão emocional. Chocolate e outros alimentos altamente saborosos, por exemplo, proporcionam uma sensação imediata de prazer e conforto, o que ajuda a explicar seu consumo em situações de estresse.

—Em períodos de ansiedade, a pessoa pode buscar alimentos que trazem uma sensação agradável e imediata, o que pode fazer com que a pessoa recorra novamente àquele alimento quando estiver ansiosa ou estressada— diz Priscilla. (Com informações do portal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Variedades

Anvisa aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade em 2026; veja quais são e seus preços
As vantagens e os riscos do uso de testosterona pelas mulheres na menopausa
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News