Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026

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A SpaceX, empresa espacial de Elon Musk, vai absorver a xAI, companhia de inteligência artificial que desenvolve o robô de IA Grok e detém a rede social X. O anúncio foi feito anteontem pelo bilionário e interpretado pelos analistas de mercado como uma ampla operação para levantar os bilhões necessários para suas ambições futuristas. Mas afinal, o que Musk pretende ao concentrar seus negócios?

A aquisição combina as capacidades de lançamento de foguetes da SpaceX com a tecnologia de IA da xAI para criar o que Musk descreveu como “o motor de inovação verticalmente integrado mais ambicioso dentro (e fora) da Terra”, segundo um comunicado.

O acordo entrelaça ainda mais o vasto império empresarial de Musk, que já inclui a montadora Tesla e a plataforma de redes sociais X, antiga Twitter. Musk fundiu a X com a xAI após adquirir o Twitter no fim de 2022. A xAI, que opera o chatbot Grok, foi avaliada em 230 bilhões de dólares (R$ 1,21 trilhão) em uma rodada de financiamento em janeiro.

A SpaceX domina o mercado de lançamentos com seus foguetes reutilizáveis e possui a maior constelação de satélites, a Starlink. A empresa também desenvolve o Starship, o maior foguete já projetado para viagens espaciais tripuladas.

Com a operação, restam fora das grandes estruturas do grupo apenas a Neuralink e a The Boring Company, outras empresas controladas por Musk.

A consolidação ocorre poucas semanas depois de a Tesla anunciar um investimento de US$ 2 bilhões na xAI. E acontece antes da projetada abertura de capital neste ano do grupo de foguetes e satélites, anunciada como provavelmente a maior da História.

O comunicado não revelou os termos financeiros da operação, mas, segundo a Bloomberg, a empresa combinada teria uma avaliação de 1,25 trilhão de dólares (R$ 6,57 trilhões).

Musk justifica a fusão como um passo para cumprir o “próximo capítulo” da SpaceX: construir em órbita centrais fotovoltaicas gigantes, mais eficientes do que na Terra, combinadas com centros de dados de IA.

O projeto se insere em sua ambição de estabelecer “bases autônomas na Lua” antes de “uma civilização inteira em Marte e, em último termo, uma expansão no universo”, afirmou Musk em sua mensagem, marcada por referências à futurologia.

Musk afirmou que a SpaceX planeja lançar uma constelação de satélites que funcionem como centros de dados em órbita, aproveitando a energia solar no espaço para atender à crescente demanda de eletricidade para a computação de IA.

Competição com a Blue Origin

Um dos desafios para os quais Musk parece se preparar é a concorrência com a Blue Origin, a empresa espacial de Jeff Bezos, que anunciou seu novo foguete, o New Glenn.

A corrida entre os dois bilionários se intensificou recentemente em torno do programa lunar Artemis, da Nasa, depois que a agência espacial americana levantou a possibilidade de dispensar a SpaceX devido a atrasos.

Musk havia se oposto anteriormente a uma oferta pública inicial (IPO) da SpaceX por discordar do nível de escrutínio exigido de uma empresa de capital aberto, ao qual a Tesla, listada em Wall Street, está submetida. Mas as prioridades mais recentes da SpaceX exigirão um investimento significativo, como colonizar Marte e construir centros de dados no espaço, o que levou Musk a optar por uma IPO.

Ainda assim, o projeto de abertura de capital segue repleto de entraves administrativos e políticos. De qualquer forma, analistas estão convencidos de que a incorporação da xAI é um passo preparatório para uma eventual abertura de capital da SpaceX. Emily Zheng, analista sênior da Pitchbook, avalia que o movimento tem “todas as características de uma empresa se organizando para um IPO”.

Segundo ela, os altos custos de computação, infraestrutura e energia têm levado startups de grande porte a buscar escala e eficiência antes de acessar o mercado financeiro. “A consolidação permite apresentar aos investidores uma narrativa de crescimento integrada e mais eficiente em termos de capital”, afirmou.

No memorando, Musk também defendeu que o espaço pode oferecer soluções para a crescente demanda energética da inteligência artificial. Ele citou como foco imediato o lançamento de satélites equipados com IA, mas foi além ao relacionar a iniciativa a seus planos de longo prazo.

“As capacidades que desbloquearemos ao tornar centros de dados espaciais uma realidade financiarão bases autossustentáveis na Lua, uma civilização em Marte e, em última instância, a expansão pelo Universo”, escreveu. Com informações do portal O Globo.

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