Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de janeiro de 2026
Os subsídios destinados à geração distribuída, especialmente aos painéis solares instalados em residências e estabelecimentos comerciais, tiveram impacto relevante sobre a conta de luz em 2025. De acordo com dados do portal Subsidiômetro, mantido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), esses incentivos responderam por 5,74% do valor total pago pelos consumidores por meio de acréscimos tarifários ao longo do ano.
As informações indicam que, em 2025, os subsídios voltados à geração distribuída somaram R$ 16,15 bilhões. Esse montante correspondeu a cerca de 32% do total de subsídios do setor elétrico, que alcançaram R$ 54,7 bilhões no período. A geração distribuída inclui sistemas de produção de energia próximos ao local de consumo, como os painéis solares fotovoltaicos instalados em telhados.
O percentual de 5,74% foi calculado a partir da participação global dos subsídios na tarifa de energia elétrica, que chegou a 17,96% em 2025, segundo os dados mais recentes disponíveis no portal, consultados na última sexta-feira (9). O peso dos subsídios associados à geração distribuída tem crescido nos últimos anos. Em 2024, essa participação era estimada em 3,27%, enquanto, em 2023, representava 2,29% da conta de luz.
O aumento tem alimentado discussões no setor elétrico e entre especialistas em políticas públicas. Parte das críticas se concentra no caráter distributivo do modelo de subsídios. Analistas apontam que consumidores de menor renda, que não têm condições financeiras de investir em sistemas de geração própria, acabam arcando com parte dos custos por meio da tarifa, enquanto o benefício direto é concedido a quem consegue instalar painéis solares. O investimento inicial pode chegar a cerca de R$ 15 mil em imóveis de pequeno porte, valor considerado elevado para grande parcela da população.
Por outro lado, defensores da política destacam que os incentivos à geração distribuída contribuíram para a expansão das fontes renováveis, a diversificação da matriz energética e a redução de emissões de gases de efeito estufa. Também argumentam que a geração próxima ao consumo pode diminuir perdas na transmissão e aliviar a demanda sobre o sistema elétrico em determinados horários.
Em 2024, o Ministério da Fazenda tentou antecipar o encerramento de parte dos benefícios concedidos à geração distribuída, atualmente previstos para vigorar até 2045. A proposta, no entanto, enfrentou resistência e não avançou. Pelas regras em vigor, consumidores que solicitaram a conexão de sistemas de geração distribuída até o início de 2023 não pagam tarifas pelo uso da rede de distribuição e têm direito à compensação integral da energia excedente que injetam no sistema. (Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo)