Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

Home Variedades Supertelescópio espacial James Webb detecta indícios de desastre ocorrido há bilhões de anos nas luas do planeta Netuno

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Novas observações de luas e anéis de Netuno pelo supertelescópio espacial James Webb – operado pela Agência Espcial Norte-Americana (Nasa) em parceria como outros países – têm fornecido evidências de uma catástrofe ocorrida há bilhões de anos nas imediações do planeta mais distante do Sistema Solar. Trata-se de um desastre no qual um intruso do tamanho de Plutão provocou uma verdadeira batalha celestial.

Ao utilizar o equipamento para análises da composição de três das pequenas luas de Netuno (Proteu, Larissa e Galateia) e de seus anéis, pesquisadorses detectaram minerais argilosos que seriam de se esperar nos confins do Sistema Solar. Sabe-se que esse material, rico em magnésio, existe no planeta-anão Ceres, que orbita no cinturão principal de asteroides entre Marte e Júpiter, e em alguns meteoritos.

“Esses minerais requerem contato prolongado entre água líquida e rocha para se formarem”, disse a cientista planetária Ryleigh Davis, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade da Califórnia em San Diego e principal autora de estudo recentemente publicado na revista “Science Advances”.

Ele acrescenta: “As próprias luas são pequenas e frias demais para que essa reação química tenha ocorrido no local, então a argila teve que vir de outro lugar, do interior profundo de um mundo antigo muito maior. Encontrar esse material nas luas internas de Netuno aponta para um evento catastrófico e que destruiu esses mundos antigos e expôs seus interiores profundos, com as pequenas luas e anéis que vemos hoje se reformando a partir desses escombros”.

A equipe cogita que o responsável por esse cataclismo tenha sido Tritão. Atualmente é o maior satélite de Netuno,  o corpo celeste anteriormente se encontrava mais distante no Sistema Solar, em uma região chamada Cinturão de Kuiper. Em algum momento durante os primeiros bilhões de anos após a formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos (época caótica em que os grandes planetas gasosos ainda migravam para suas órbitas atuais), a atração gravitacional de Netuno capturou Tritão.

Tritão é um pouco maior que Plutão, outro habitante do Cinturão de Kuiper, embora menor que a Lua da Terra. Após ser capturado, as próprias forças gravitacionais de Tritão agitaram as luas originais de Netuno e fizeram com que a maioria delas colidisse entre si. As atuais luas internas de Netuno acabaram se formando a partir de alguns dos detritos resultantes.

“Os interiores das grandes luas geladas normalmente ficam permanentemente ocultos de nós, enterrado sob espessas camadas de gelo de água e acessível apenas por meio de modelos e inferências”, prossegue Davis. “As luas internas de Netuno podem ser o único lugar no Sistema Solar onde podemos observar diretamente esse material, porque esse evento catastrófico basicamente virou esses mundos antigos do avesso.”

Curiosidades

Tritão é a única lua grande do Sistema Solar que orbita na direção oposta à rotação de seu planeta. Esse fato fornece mais evidências de que Tritão foi capturado após se formar em outro lugar, em vez de ter se formado como uma das luas originais de Netuno.

Os outros três grandes planetas gasosos — Júpiter, Saturno e Urano — possuem, cada um, um sistema de grandes luas que se formaram ao redor do planeta, orbitando em uma trajetória aproximadamente circular na mesma direção em que o planeta gira.

“Netuno é o único planeta gigante do Sistema Solar sem um sistema ordenado de grandes satélites regulares”, declarou Davis. “Portanto, Netuno acabou tendo um intruso capturado dominando seu sistema de satélites, em vez da família ordenada de luas que vemos nos outros planetas gigantes.”

A história das luas de Netuno é um lembrete de que o Sistema Solar tem uma história violenta em sua origem. “É um exemplo vívido de como um único evento aleatório pode alterar fundamentalmente a arquitetura de um sistema planetário”, finaliza o pesquisador. (com informações do portal G1)

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