Terça-feira, 07 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de abril de 2026
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o empresário catarinense Alcides Hahn a 14 anos de prisão em regime fechado pela transferência de R$ 500 para o pagamento de um ônibus fretado que levou manifestantes de Blumenau (SC) até Brasília para 8 de janeiro de 2023. Ele responde pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio público tombado e associação criminosa.
A decisão foi proferida no dia 2 de março. A defesa entrou com um recurso que seria julgado no último dia 20, mas foi retirado de pauta. Além de Hahn, foram condenados outros dois homens pelo financiamento do ônibus.
Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, Rene Afonso Mahnke transferiu R$ 1.000 e Vilamir Valmor Romanoski, R$ 10.000. Romanoski, no entanto, foi identificado pela PGR como uma “figura de liderança” a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Blumenau.
Segundo informações do UOL, em audiência, Alcides relatou que fez o Pix a pedido de um conhecido, que teria solicitado dinheiro emprestado para viajar, sem informar o destino. O dono da empresa de ônibus, por sua vez, afirmou que, ao identificar a transferência, presumiu que o valor se referia ao fretamento da viagem para Brasília.
A defesa do empresário negou que o valor transferido fosse destinado ao financiamento do ônibus ou que Alcides tivesse ciência do eventual crime.
Relembre
O 8 de janeiro de 2023 marcou uma das mais graves crises institucionais recentes no Brasil. Naquela data, milhares de manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília: o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF.
Os atos ocorreram uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foram protagonizados, em grande parte, por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde o fim das eleições de 2022, grupos vinham questionando o resultado do pleito e mantendo acampamentos em frente a quartéis em diversas cidades do país.
Os manifestantes romperam barreiras de segurança e ocuparam os prédios públicos. Durante a invasão, houve depredação de patrimônio, com destruição de vidraças, móveis, obras de arte e equipamentos. As cenas foram registradas e repercutiram amplamente no Brasil e no exterior.
As autoridades classificaram os atos como atos antidemocráticos. O governo federal decretou intervenção na segurança pública do Distrito Federal ainda naquele dia, com o objetivo de retomar o controle da situação. As forças de segurança passaram a desocupar as áreas invadidas e realizar detenções.
Nos dias seguintes, centenas de pessoas foram presas sob suspeita de participação direta nos atos ou de financiamento e organização das ações. As investigações ficaram sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do STF, que também passou a julgar casos relacionados ao episódio.
O 8 de Janeiro passou a ser tratado por autoridades e analistas como um marco na discussão sobre a defesa das instituições democráticas no país. O episódio também desencadeou uma série de medidas voltadas à responsabilização dos envolvidos e à revisão de protocolos de segurança em torno de prédios públicos e eventos oficiais na capital federal. (Com informações do jornal O Globo)