Sábado, 17 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de janeiro de 2026
Apesar das afirmações públicas de que tentará a reeleição em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vem ampliando movimentos para se manter na corrida ao Planalto, com críticas ao governo Lula e acenos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que apontou seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), como nome da família à Presidência. Nos últimos dias, o governador procurou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para defender a concessão de prisão domiciliar ao seu principal padrinho político, em movimento interpretado por bolsonaristas como um gesto para preservar vínculo e manter canal direto com o núcleo que hoje influencia decisões.
Além disso, Tarcísio ainda não mergulhou na pré-campanha de Flávio e continua sendo visto como “candidato natural” por segmentos da direita, do Centrão e por integrantes do governo Lula, que avaliam que a candidatura ainda não está descartada.
Três interlocutores próximos a Tarcísio confirmaram que o governador conversou por telefone com ao menos quatro ministros da Corte na quarta-feira para tratar do pedido de prisão domiciliar apresentado na terça-feira pela defesa do ex-presidente.
Fontes próximas à família Bolsonaro relataram que Michelle também atuou nos bastidores. Esta informação foi inicialmente veiculada pelo portal g1. A ex-primeira-dama participou de uma audiência com o ministro Gilmar Mendes e pediu que ele falasse diretamente com o relator do caso, Alexandre de Moraes.
Michelle teria dito ao magistrado que deseja cuidar pessoalmente de seu marido e que suas condições de saúde não lhe permitem cumprir regime fechado. Procurados, Michelle e Tarcísio não se manifestaram.
Disputa interna
Segundo relatos, Tarcísio reforçou a piora no quadro clínico de Bolsonaro, exemplificada pela queda sofrida na semana passada. O governador citou laudos médicos reunidos pela defesa e a suposta limitação estrutural da cela na superintendência da Polícia Federal, sustentando que o ex-presidente estaria em condição de vulnerabilidade. Esses mesmos argumentos foram usados pelos advogados na peça protocolada no STF.
A queda foi classificada como traumatismo craniano leve. Por esse motivo, o médico Brasil Ramos Caiado afirmou que a lesão não era preocupante e o ex-presidente foi reconduzido à PF.
A articulação ocorre no momento em que o bolsonarismo opera em duas frentes: tentar aliviar o ambiente jurídico para o ex-presidente e, ao mesmo tempo, administrar a disputa interna pela reorganização do campo da direita em 2026.
Os telefonemas aos ministros acontecem também sob o impacto de um ruído recente dentro do bolsonarismo. A mulher de Tarcísio, Cristiane Freitas, comentou em uma postagem do governador que “o Brasil precisa de um novo CEO”, em referência a ele. O comentário foi curtido por Michelle (leia mais detalhes abaixo). A reação foi imediata no entorno do ex-presidente e em grupos ligados a Flávio, que viram no episódio um estímulo ao nome de Tarcísio no momento em que o senador tenta consolidar sua pré-candidatura.
“A gente precisa trocar o rumo, porque se não a gente vai perder as oportunidades. É só isso, não tem nada a ver com o jogo presidencial. A gente está dizendo o seguinte, PT não. E aí a direita vai estar unida em torno de um nome, e o meu nome é o Flávio”, disse Tarcísio na quinta-feira, minimizando ainda a postagem:
“A mensagem lá é de desabafo contra o PT. A gente está dizendo ali o seguinte: a gente precisa, na verdade, de um gestor que pense o Brasil, que tenha liderança para enfrentar os grandes desafios, para resolver os problemas, que são sérios, com uma crise fiscal contratada e uma crise moral.”
Planalto
Para auxiliares de Lula, as movimentações que vêm sendo feitas por Tarcísio indicam que ele não desistiu de seu plano nacional. No entendimento do governo, Flávio é um adversário menos perigoso do que o governador por causa da sua alta rejeição.
Apesar de a pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (14) mostrar uma melhora no desempenho de Flávio, integrantes do governo com assento no Planalto avaliam não estar descartada a possibilidade de Tarcísio assumir o posto de candidato na disputa presidencial de outubro, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentará a reeleição. (Com informações do jornal O Globo)