Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de fevereiro de 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se reuniu nessa quarta-feira (11) com quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Os encontros ocorrem em meio às tentativas da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro de conseguir o benefício da prisão domiciliar, o que já foi negado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, em outras ocasiões.
O primeiro encontro foi justamente com Moraes, com quem Tarcísio mantém boa relação. Ele chegou acompanhado do do secretário-executivo da Fazenda e Planejamento do estado, Rogério Campos, e da procuradora-geral do Estado, Inês Maria dos Santos Coimbra. Ao chegar, Tarcísio afirmou que as conversas tratariam da renegociação das dívidas do estado com a União.
A agenda oficial do governador trazia ainda reuniões com Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, decano da Corte.
Na terça (10), o vereador Carlos Bolsonaro afirmou que os advogados do pai apresentariam novo pedido de domiciliar. Bolsonaro está preso na Papudinha após ser condenado a uma pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado.
Ele já recebeu a visita do próprio Tarcísio no fim de janeiro, oportunidade em que o governador reiterou apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, após uma série de atritos.
“Tanto o laudo da Polícia Federal quanto o laudo do médico assistente são categóricos ao apontar quase 10 comorbidades relevantes e os elevados riscos de morte a que está submetido o presidente @jairbolsonaro. Trata-se de uma medida humanitária, necessária e juridicamente amparada”, afirmou Carlos nas redes sociais.
Laudo da PF
O laudo a que ele faz referência concluiu que Bolsonaro não precisa de cuidados em nível hospitalar e pode seguir cumprindo pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, conhecido como Papudinha. O ex-presidente foi transferido para a unidade em 15 de janeiro.
A perícia da PF afirma que o quadro clínico de Bolsonaro é estável e que, no momento da avaliação, não há indicação de encaminhamento de urgência nem de transferência para hospital penitenciário, desde que sejam mantidas as condições atuais de acompanhamento médico e assistência à saúde.
O documento foi produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes havia pedido o laudo para a PF para analisar um pedido da defesa sobre eventual concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente.
Segundo o laudo, embora não haja necessidade de internação hospitalar imediata, o ex-presidente apresenta um quadro de “multimorbidade”, com doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas, além de histórico de cirurgias abdominais extensas.
“O histórico de queda recente e desequilíbrio direcionou a perícia para um exame neurológico cuidadoso. Dessa forma, foram encontradas alterações neurológicas no exame físico e aventadas hipóteses relacionadas com as demais informações coletadas do caso”, diz o texto.
Ainda de acordo com o documento, embora o ex-presidente apresente múltiplas comorbidades crônicas – como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono grave, doença aterosclerótica, refluxo gastroesofágico, episódios recorrentes de pneumonia aspirativa, anemia ferropriva, sarcopenia e histórico de cirurgias abdominais extensas – essas condições estão sob controle clínico e não configuram, por si só, incompatibilidade com o ambiente prisional.
Conversas anteriores
No mês passado, Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já haviam procurado ministros para defender a concessão de prisão domiciliar. Na ocasião, três interlocutores próximos a Tarcísio confirmaram que o governador conversou por telefone com ao menos quatro ministros da Corte nessa quarta para tratar do pedido.
Além da movimentação de Tarcísio, fontes próximas à família Bolsonaro relataram que Michelle também atuou nos bastidores. Esta informação foi inicialmente veiculada pelo portal g1. A ex-primeira-dama participou de uma audiência com o ministro Gilmar Mendes e chegou a pedir que ele falasse diretamente com o relator do caso, Alexandre de Moraes, numa tentativa de sensibilizá-lo sobre o pleito.
Michelle também teria dito ao magistrado que deseja cuidar pessoalmente de seu marido e que suas condições de saúde não lhe permitem cumprir regime fechado.
As conversas ocorreram enquanto Bolsonaro ainda estava na Superintendência da PF e ocorreram após ele sofrer uma queda na cela. (Com informações do jornal O Globo)