Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de fevereiro de 2026
O Brasil é um dos países mais beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas impostas pelo presidente Donald Trump no ano passado, segundo um estudo que avalia os impactos da mudança nos EUA. A Corte decidiu por 6 votos a 3 na sexta-feira (20) que Trump excedeu sua autoridade ao usar poderes de emergência para implementar tarifas contra dezenas de parceiros comerciais globais.
No fim de semana, Trump anunciou que usaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 15% sobre produtos importados do resto do mundo. Essas tarifas entram em vigor na terça-feira (24/2) e terão validade de apenas 150 dias. A nova tarifa de Trump provocará mudanças grandes na forma como os produtos importados pelos EUA são tratados.
Um estudo do Global Trade Alert (GTA) — um grupo que compila dados comerciais, ligado a uma entidade sem fins lucrativos baseada na Suíça — mostra que o Brasil é o terceiro país no mundo com maior queda na alíquota de seus produtos exportados para os EUA.
O GTA afirma que a mudança de tarifas nos EUA produziu “vencedores e perdedores claros”, e colocou o Brasil no primeiro grupo.
Antes da decisão da Suprema Corte, produtos brasileiros vinham sendo taxados em 26,33% em média — a 17ª maior tarifa do mundo. O GTA estima que a taxação brasileira cairá em 13,56 pontos percentuais. Essa queda é a terceira maior do mundo, atrás apenas da redução de tarifas para produtos importados pelos EUA de Mianmar e Laos.
Com a decisão da Suprema Corte e o novo instrumento usado por Trump, o GTA prevê que a tarifa média paga por produtos brasileiros será de 12,77% — fazendo com que o país caia da 17ª para a 125ª posição entre os mais taxados pelos EUA. O Brasil é um dos mais beneficiados pela decisão da Suprema Corte porque estava entre os países mais prejudicados pelo instrumento adotado pelo Trump que agora foi considerado ilegal.
Em abril de 2025, ao anunciar o que chamou de “tarifas recíprocas” no que batizou de “Dia da Libertação”, Trump aplicou uma taxa de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA — então o menor patamar aplicado aos países afetados.
Mas isso mudou em 30 de julho do ano passado, quando o Brasil passou a ser enquadrado na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), uma legislação de 1977 que permite que os EUA adotem tarifas mais altas contra determinados países quando houver alguma emergência nacional decorrente de uma “ameaça incomum e extraordinária”.
Trump constatou “que o alcance e a gravidade das políticas, práticas e ações recentes do governo do Brasil constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA” — declarando estado de emergência nacional e impondo alíquota de 40% sobre diversos produtos brasileiros.
Um dos motivos alegados para a taxação diferenciada para o Brasil seria uma “caça às bruxas” ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Judiciário nacional, segundo argumento do governo Trump na época.
Em 20 de novembro, um mês após uma conversa entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alguns produtos brasileiros foram retirados da lista de taxação.
Mesmo com essa suspensão de tarifas, o GTA aponta que o Brasil possuía uma das maiores médias de alíquotas nos EUA entre os demais países do mundo. Entre os 20 países dos quais os EUA mais importam, os produtos brasileiros só tinham alíquota média inferior ao da China (26,3% contra 36,8%).
Com a decisão da Suprema Corte, Trump trocou a IEEPA por outro mecanismo: a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que nunca havia sido usada antes.
A Seção 122 concede ao presidente poderes limitados e temporários para impor tarifas ou outras restrições comerciais em situações de desequilíbrios graves na balança de pagamentos.
“A mudança do regime tarifário anterior à regulamentação para a Seção 122, com alíquota de 15%, produz vencedores e perdedores claros entre os 20 principais países cujos produtos são importados pelos EUA”, afirma o estudo do GTA.