Quinta-feira, 12 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de março de 2026
O mercado financeiro reduziu as projeções para a taxa básica de juros (Selic) ao fim de 2026 por causa da guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo disparar. A mediana das expectativas das casas ouvidas pelo Boletim Focus, documento do Banco Central (BC) que resume as previsões dos agentes e é divulgado toda segunda-feira, subiu pela primeira vez no ano, de 12% na semana passada para 12,13%.
A Selic está atualmente em 15% ao ano, e no mercado financeiro ganham força as apostas de um início de ciclo de cortes de juros mais suave por parte do Copom, na reunião da semana que vem. Analistas destacam que a alta da cotação do petróleo, se mantida, tende a pressionar os preços internos dos combustíveis.
“A alta do petróleo ampliou bastante a defasagem dos preços domésticos em relação ao mercado internacional, o que aumenta o risco de reajustes pela Petrobras em algum momento”, disse Leonardo Costa, economista da financeira ASA.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula em 85% a defasagem do preço do diesel no Brasil em comparação ao cobrado no exterior. Na gasolina, a diferença chega a 49%.
As dúvidas e as tensões no mercado global de petróleo e a consequente pressão sobre os preços internos dos combustíveis reforçam avaliações de que o Copom pode ser conservador na reunião dos dias 17 e 18.
“Em meio à incerteza, o pessoal recolhe um pouco as posições aplicadas para corte de juros. O mercado migrou nos últimos dois dias de queda da Selic de 0,50 ponto percentual para o 0,25 ponto no primeiro corte. Na margem, você tem uma incerteza muito grande tanto em relação ao ritmo como em relação ao fim do ciclo”, disse Francisco Segundo, estrategista de renda fixa da Terra Investimentos.
Para o Produto Interno Bruto (PIB), não houve alterações nas estimativas de crescimento de 1,82% e 1,80%, respectivamente, em 2026 e 2027. Em 2025, a economia brasileira desacelerou e teve avanço de 2,3% como mostrou na semana passada o IBGE.
Para a cotação do dólar, a projeção do Focus foi revisada para R$ 5,41 ao fim de 2026, ante R$ 5,42 na semana anterior, e de R$ 5,50 para o fim de 2027. Para o IPCA, a projeção segue estimada em 3,91% ao final de 2026, mas subiu 0,01 ponto percentual para 2027, a 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O BC prevê que o IPCA vai encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027.