Domingo, 11 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de janeiro de 2026
Se você sente que pega o celular sem nem perceber, atualiza as redes sociais a todo instante, gasta horas com conteúdos vazios ou tem dificuldade de se concentrar em uma tarefa sem voltar a ele, não está sozinho. O uso excessivo de smartphones ativa mecanismos de recompensa no cérebro semelhantes aos de outros comportamentos viciantes.
Por isso, o neurologista Baibing Cheng, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, conhecido como Dr. Bing nas redes sociais, aconselha três passos para tornar o celular menos viciante e quebrar esse ciclo, segundo a neurociência.
1-Deixe o celular visualmente “entediante”
O primeiro passo para isso é reduzir o estímulo visual. “A cor é um gatilho de dopamina, e tons vibrantes como vermelho e azul ativam áreas do cérebro ligadas à atenção e à recompensa”, explica o médico. Por isso, ele recomenda mudar o celular para o modo preto e branco (grayscale).
De acordo com Dr. Bing, essa simples alteração diminui o apelo da tela. “Quando você tira as cores, seu cérebro para de receber aqueles pequenos ‘picos’ de dopamina que o mantêm preso ao aparelho.”
2-Aumente a dificuldade
Outro ponto importante é dificultar o acesso aos aplicativos mais viciantes.
“O cérebro adora recompensas fáceis. Se você adiciona alguns obstáculos — como sair das redes sociais ao encerrar o uso, mover os ícones para uma segunda tela ou usar um aplicativo que insira um pequeno atraso na abertura —, esses segundos extras dão tempo para o seu córtex pré-frontal interromper o impulso automático”, ensina o neurologista.
3-Substitua o hábito
O último passo é preencher o tempo que seria gasto no celular com algo que realmente acalme o corpo e a mente.
“Muitas vezes pegamos o telefone por tédio ou estresse. Se você troca esse comportamento por algo que regule o sistema nervoso — como respirar fundo, alongar-se ou dar uma caminhada curta —, o cérebro começa a associar tranquilidade, e não estimulação, a esses momentos”, orienta em seu post.
O especialista ainda ressalta que o objetivo não é abandonar a utilização do celular, mas reeducar o cérebro para sentir prazer sem depender de estímulos constantes.
“A meta não é nunca deixar de usar o telefone. É ensinar o cérebro a se sentir bem sem precisar de doses contínuas de dopamina”, conclui o neurologista.