Segunda-feira, 04 de Julho de 2022

Home Mundo Três em cada quatro posts de influenciadores sobre comida são de alimentos pouco saudáveis

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Entreter-se com perfis de influenciadores no TikTok, Instagram e YouTube pode ser um hábito que traz problemas para quem busca uma dieta saudável. Uma pesquisa recente conduzida por especialistas da Universidade Médica de Vienna, na Áustria, e apresentada no Congresso Europeu de Obesidade, avaliou as publicações de seis celebridades digitais alemãs que, juntas, acumulam mais de 35 milhões de seguidores. A predominância (75% do que aparecia nos feeds) em fotos e vídeos eram das chamadas ‘junk foods’ — comidas consideradas pouco saudáveis.

Deste total de produtos mostrados, outros 8% não puderam ser classificados como benéficos ou pobres em nutrientes para a saúde, por falta de informação nutricional de sua composição, e somente 17% do que aparecia nas postagens tinham relação com uma rotina saudável, disseram os autores.

De acordo com os especialistas envolvidos na análise, a cada hora, crianças e adolescentes são expostos a 18 propagandas nas redes sociais envolvendo comida, a maioria delas de baixa qualidade.

“Infelizmente, há pouquíssima regulação do marketing digital de alimentos e bebidas com pouco valor nutricional e, quando há, não é efetiva. É fundamental que os pais ao menos se deem conta de que essas crianças estão expostas a essa publicidade, que estejam conscientes [do que está acontecendo]. Também é preciso que os pais façam pressão para que ocorra regulação ou restrição desse tipo de divulgação”, afirmou Eva Winzer, da Universidade Médica de Viena.

O recorte de ter alta audiência entre meninos e meninas com idades entre 13 e 17 anos foi um dos pré-requisitos para selecionar os influenciadores mencionados na pesquisa. Para chegar à prevalência das postagens, os especialistas monitoraram as 20 últimas publicações das celebridades digitais, com o limitador de terem sido postadas até 1º de maio de 2021.

Como método para classificar o que era saudável (ou não), os especialistas utilizaram indicadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) que orientam se determinados alimentos deveriam ser alvo de propagandas voltadas às crianças tendo em vista seus níveis de açúcar, sal e gordura.

Ao todo, os pesquisadores avaliaram a exposição de 409 produtos. A maioria era de chocolates e sobremesas bastante açucaradas (23%), seguido de refeições processadas (9%). Em 53% dos casos, os influenciadores falavam positivamente dos produtos, em 42% mantiveram-se neutros e em 5% preferiram as opiniões negativas. O consumo dos itens pelos próprios influenciadores também foi alto. Eles apareceram comendo ou bebendo esses alimentos em 73% dos casos.

Do total, apenas 14% dos itens foram divulgados como publicidade — as famosas “publis” nas redes sociais. Em 60% dos casos em que havia comida na postagem, os jovens faziam menção ao item — portanto, o produto alimentar tinha destaque e não aparecia como mero coadjuvante.

Equilíbrio

A preocupação com a divulgação exagerada de produtos com baixo valor nutricional também aparece nos consultórios de nutricionistas brasileiros. Os especialistas, contudo, revelam grande preocupação diante da alta publicidade desses alimentos, que pode, inclusive, confundir as famílias, que pensam estar diante de itens saudáveis.

“As famílias, por vezes, observam essa publicidade e não têm a informação de que um iogurte cheio de açúcar, repleto de aditivos, é tão prejudicial quanto alguns tipos de hambúrguer. É importante lembrar que tudo depende. Depende do tipo de preparação do iogurte, ou do hambúrguer [para serem saudáveis ou não]. Não dá pra dizer que tudo é ruim, mas é preciso lembrar que quanto mais caseiro é o alimento, mais saudável ele será”, diz Priscilla Primi Hardt, nutricionista clínica.

Primi lembra ainda que esse tipo de conteúdo não afeta apenas as crianças, mas sim toda a família, igualmente exposta à oferta desses alimentos.

“Eu indico aos pacientes para que tentem comer 80% de alimentos saudáveis, feitos em casa, minimamente processados. A exemplo de arroz, feijão, carne, bolos caseiros, pães caseiros, queijos e leites. Na composição dos outros 20%, falo para escolherem alimentos que deem prazer. Não é preciso se restringir o tempo todo, do contrário, vira terrorismo”, explica a nutricionista.

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