Domingo, 19 de Abril de 2026

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Horas após o início de um cessar-fogo de 10 dias no Líbano, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que Israel não voltará a atacar o território libanês por ordem de Washington, em um tom imperativo poucas vezes usado para se dirigir em público ao principal aliado na região e sócio na guerra contra o Irã. A declaração de Trump ocorre enquanto milhares de pessoas deslocadas pelo conflito retornam para o sul do Líbano, contrariando as recomendações das Forças Armadas israelenses e libanesas e do movimento Hezbollah, que mantêm desconfianças mútuas sobre um acordo definitivo.

“Israel não vai mais bombardear o Líbano. Eles estão PROIBIDOS pelos EUA de fazer isso. Já basta é já basta!!!”, escreveu o presidente americano em uma publicação na rede social Truth Social, um dia após anunciar o cessar-fogo pelo mesmo canal.

A interrupção dos combates no Líbano repercutiu de forma divergente nos EUA e em Israel, mostrando uma inconsistência na unidade entre os aliados. Enquanto Trump comemorou publicamente o acordo, afirmando que seria a 10ª guerra que solucionaria, as declarações partindo do governo israelense não acompanharam o tom otimista sobre uma paz duradoura — com autoridades precisando explicar o porquê de parar uma operação militar vista pela maioria dos eleitores israelenses, segundo pesquisas, como necessária para manter a segurança no norte do país, alvo prioritário de ataques do Hezbollah.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta daria uma chance para avançar com uma “solução diplomática e militar” com o governo libanês a pedido de Trump, com a ressalva de que a ameaça às comunidades no norte do país não foi eliminada e que ” trabalho não terminou”. Em uma declaração em separado, antes da declaração de Trump, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que a desmilitarização do sul do Líbano teria que ser feito “por via diplomática ou pela retomada das atividades militares”, e indicou que as forças do país, que seguem em território libanês, continuarão a demolir estruturas que ele afirmou serem ligadas ao Hezbollah. As declarações não calaram as críticas.

Avichai Stern, prefeito de Kiryat Shmona, cidade no extremo norte de Israel, anunciou que as escolas e os serviços municipais ficartão fechados no domingo — dia útil no Estado judeu — em protesto contra o acordo de cessar-fogo com o Líbano. O prefeito é uma das vozes que exige o desmantelamento do Hezbollah como organização militar e civil, o estabelecimento de linhas defensivas eficazes ao longo da fronteira libanesa e a proteção integral para moradores e instituições públicas.

Embora o acordo tenha destravado outra frente de guerra no Oriente Médio — o Irã concordou com a reabertura total do Estreito de Ormuz após o cessar-fogo ser alcançado no Líbano, abrindo caminho para uma possível solução duradoura para a guerra com os EUA —, o impacto interno para o governo Netanyahu, ao menos de forma imediata, foi negativo. Críticos e mesmo aliados à direita, aproveitaram o momento para acusar a aparente incapacidade do premier de resistir à pressão de Trump, que já tinha forçado a pausa dos ataques ao Irã.

— Um cessar-fogo deve vir de uma posição de força e ser uma decisão israelense, refletindo uma vantagem que sirva às negociações — disse Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior cujo novo partido de oposição centrista, Yashar, já figura em terceiro nas pesquisas para as eleições gerais, que devem ocorrer até outubro. — Tem surgido um padrão no qual tréguas estão sendo impostas a nós: em Gaza, no Irã e agora no Líbano.

Volta para casa
Mesmo sem um acordo definitivo, milhares de famílias libanesas contrariam recomendações feitas por autoridades do país e de Israel e começaram a retornar a suas cidades a sul do rio Litani e em bairros de Beirute considerados redutos do Hezbollah. Mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito — com estimativas menos conservadoras falando em mais de 2 milhões de afetados.

Um fluxo de pessoas tomou a principal rodovia rumo ao sul do Líbano na sexta-feira, após a entrada em vigor do cessar-fogo. Motoristas esperaram durante horas em engarrafamentos que se formaram na ponte Qasmiyeh, única que ainda permite atravessar o rio Litani. Escavadeiras trabalharam para reabrir estrutura, bombardeada por Israel horas antes do início da trégua. Assim que a passagem foi liberada, motocicletas e depois carros começaram a atravessar em fila, com alguns buzinando em comemoração e acenando bandeiras amarelas do Hezbollah.

— Saímos uma hora antes de o cessar-fogo entrar em vigor para podermos chegar à ponte assim que ela abrisse, permitindo que retornássemos à nossa cidade — disse Amani Atrash, de 37 anos, que fugiu para o norte no início da guerra e aguardava em uma fila que se estendia por quilômetros a nordeste de Tiro. — A espera é muito difícil porque queremos chegar lá o mais rápido possível. Com informações do portal O Globo.

 

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