Quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de fevereiro de 2026
Um dos poucos motores econômicos funcionando em Cuba está falhando, à medida que os Estados Unidos tomam medidas para impedir que combustível e financiamento cheguem à ilha.
O turismo internacional para Cuba caiu para níveis mínimos históricos no ano passado, informou o instituto nacional de estatísticas do país hoje, enquanto os problemas econômicos mais amplos da nação caribenha pesam sobre uma indústria que é uma fonte vital de moeda forte.
Cerca de 1,8 milhão de viajantes visitaram a ilha em 2025. Esse é o menor número em mais de duas décadas, excluindo os anos da pandemia de 2020-2022, quando o turismo internacional ficou amplamente paralisado.
As chegadas de visitantes caíram 18% em comparação com 2024 e recuaram 62% em relação ao recorde de 4,7 milhões de visitantes que a ilha recebeu em 2018.
A tempestade perfeita atingiu Cuba. Ela está sendo atingida por fatores externos e internos que surgiram no pior momento possível”, disse Paolo Spadoni, professor de ciências sociais da Universidade Augusta que estuda a ilha e seu setor de turismo.
Retrospecto
Mesmo antes do mais recente ataque dos EUA à sua economia, Cuba estava presa em uma profunda recessão e em uma crise econômica que tem levado a cortes generalizados de energia e escassez de bens básicos. Esperando capturar moeda forte, o governo investiu fortemente em novos hotéis que poucos locais podem pagar e que agora estão em grande parte vazios.
No ano passado, por exemplo, um hotel de luxo de 42 andares e 594 quartos conhecido como Torre K foi inaugurado em Havana, mesmo com a ocupação média dos hotéis ficando pouco acima de 20% em todo o país, segundo estatísticas governamentais.
A perspectiva econômica de Cuba se tornou ainda mais sombria desde 3 de janeiro, quando forças especiais dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e interromperam as exportações decisivas de combustível do país sul-americano para seu aliado em Havana.
Cuba culpa a queda do turismo às longas sanções econômicas dos EUA que elevam custos e dificultam a importação de bens.
Em dezembro, o ministro da Economia e Planejamento, Joaquín Alonso, disse aos legisladores que a projeção de receita do turismo era de US$ 917 milhões em 2025, abaixo da meta de US$ 1,2 bilhão. Ainda assim, a indústria é um dos principais pilares do setor de serviços, que representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Países vizinhos
A administração Trump tornou mais difícil para cidadãos dos EUA viajar para a ilha, e políticas de imigração mais rígidas significam que cubanos com green cards hesitam em voltar para visitar, disse Spadoni.
Washington também está punindo estrangeiros. Europeus que viajam para Cuba, por exemplo, estão excluídos do Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem, que lhes dá o direito de entrar nos EUA sem um visto tradicional.
A escassez no turismo torna Cuba uma exceção regional. Lugares como República Dominicana e Porto Rico, assim como destinos de praia nas Grandes Antilhas, relataram recentemente números recordes de turismo. E muitas das ilhas menores em todo o Caribe estão vendo forte demanda.
Controle estatal
James Hepple, diretor executivo da Tourism Analytics, que estuda tendências de viagens no Caribe, disse que não é surpresa que Cuba esteja sendo superada pela concorrência. “Os hotéis deles podem ser fisicamente atraentes e estar em praias lindas, mas o modelo de negócios não funciona”.
O exército controla a maior parte da indústria do turismo, mas tem construído hotéis demais e está apertado por falta de dinheiro, o que significa que a manutenção das propriedades e a qualidade dos alimentos estão diminuindo.
“O dinheiro não está entrando, então eles não podem investir, e há essa espiral descendente”, disse Hepple.
Talvez mais preocupante, disse o especialista, há sinais de que pequenos crimes estão aumentando em uma ilha há muito renomada pela segurança:
“Eu costumava visitar Cuba e você se sentia muito seguro lá. Agora isso não é o caso. O crime nas ruas aumentou, e o assédio a turistas aumentou, porque todo mundo precisa de um dólar”, diz Hepple.