Domingo, 03 de Março de 2024

Home Economia Turistas do Brasil já são o principal público que compra vinhos em Buenos Aires, além das compras em supermercados e no free shop

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A desvalorização do peso não apenas deixou baratos os restaurantes na Argentina, mas também se apresentou como uma oportunidade para os brasileiros aficionados em vinhos. Tanto é assim que, segundo lojistas do comércio especializado na bebida de Buenos Aires, os brasileiros já representam a maior parte da clientela. E esse interesse tem razão de ser: vinhos que saem por R$ 100 ou mais no Brasil podem sair entre 40% e 85% mais em conta quando trazidos na bagagem.

Isso fica claro nos bairros Palermo, Recoleta e Retiro, que concentram muitos hotéis frequentados por turistas brasileiros. Gerente da loja de vinhos Go Bar, no shopping Patio Bullrich, em Palermo, Florencia Ibarra conta que os brasileiros são seus principais clientes. A maioria busca rótulos de Malbec e Cabernet Sauvignon, principalmente de vinícolas da região de Mendoza, no Norte do país.

“Os brasileiros vêm querendo provar vinhos diferentes e acabam comprando muito porque a diferença de preço é muito grande. Temos clientes uruguaios e dominicanos também, mas os brasileiros são 80% do movimento dos vinhos”, diz Florencia. “Os argentinos, curiosamente, compram mais destilados.”

Na loja Go Bar, uma garrafa de DV Catena Malbec 2019, por exemplo, sai por 2.600 pesos. Na conversão do câmbio paralelo do fim de junho, o real valia 53 pesos. Logo, os 2.600 pesos se traduziam em cerca de R$ 51. No Brasil, o mesmo rótulo varia de R$ 100 a R$ 150 em supermercados online.

Enrique “Quique” Martínez é gerente de uma enoteca na Recoleta, outro ponto muito frequentado por brasileiros em Buenos Aires. Ele calcula entre 60% e 80% a proporção de brasileiros que frequentam sua loja. E concorda com a percepção de que eles são atraídos pelo câmbio favorável.

“Os preços são, em média, um terço menores do que no Brasil. E como temos muitos hotéis na região eles acabam vindo comprar conosco”, explica. Ali, o Rutini Malbec 2019 custa 2,5 mil pesos, cerca de R$ 47 reais. No Brasil, esse vinho não sai por menos de R$ 130.

Free shop

Há ainda uma última opção, caso as garrafas não caibam na mala: é o freeshop do Aeroporto de Ezeiza. O segredo é gastar os últimos pesos da viagem, já que as lojas aceitam a moeda local na conversão do peso oficial – muito abaixo do valor praticado nas ruas, o que na prática favorece o turista.

Ali, vinhos como o Rutini Cabernet Malbec 2020 custam o equivalente a R$ 50. O El Enemigo sai por R$ 90 e o Angelica Zapata, por R$ 100. A vantagem, claro, é que o turista não corre o risco de sujar a bagagem caso a garrafa quebre, já que é possível levar as compras no avião como bagagem de mão.

Outra opção para quem busca vinhos baratos em Buenos Aires são os supermercados de bairro. Todos possuem setores de vinho, ainda que não possuam uma variedade de rótulos tão grande quanto a das as enotecas. A reportagem por exemplo encontrou um DV Catena Malbec 2019 por 1.800 pesos em um supermercado no bairro de Retiro – R$ 33 na conversão do fim de junho. Para quem busca vinhos bem baratos é possível encontrar garrafas por menos de R$ 20, como é o caso do San Valentín.

Setor preocupado

Apesar do bom momento nas vendas, catapultadas pelo retorno do turismo à Argentina com o avanço da vacinação contra a covid, e o próprio aumento no consumo de álcool na pandemia de covid, a crise econômica e a alta inflação no país prejudicam o setor.

Um dos principais problemas é a escassez de garrafas de vinho. A Argentina tem apenas duas fábricas do material e precisa muitas vezes importar o material de países como a França. Com a restrição à compra de dólares para importadores imposta desde junho pelo governo de Alberto Fernández, fontes do setor relatam dificuldades.

Outro problema são os reajustes. As lojas têm dificuldades em segurar os preços diante de uma inflação que pode chegar a 90% neste ano. É comum nas lojas do centro os vendedores brincarem: “Hoje está mais barato que amanhã”. Eles relatam ainda que um mecanismo comum para atrair clientes é repassar o aumento que vem dos fornecedores e anunciar promoções com algum desconto.

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