Quarta-feira, 01 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de abril de 2026
O programa governamental “mais médicos” produziu uma proliferação inimaginável de novas faculdades de medicina.
Até o ano 2000 eram menos que 100, atualmente são mais de 500.
Noventa por cento das novas escolas são privadas.
As mensalidades são caras e podem atingir R$ 15.000.
Se tornou um grande negócio que movimenta bilhões.
Somente um grupo de investidores possui no Brasil 30 escolas.
Sob críticas, e percebendo a nova duvidosa formação médica no país, o governo introduziu o ENAMED (exame nacional de avaliação da formação médica).
Dos 351 cursos avaliados 107 obtiveram notas 1 e 2.
Ficaram distantes de uma boa avaliação. Apenas 49 obtiveram a nota máxima que é cinco.
Dos 39258 alunos avaliados apenas 67% obtiveram desempenho adequado.
Este é um exame teórico e todos nós sabemos que o exercício da medicina é extremamente prático sedimentado na convivência da relação médico paciente.
A associação médica brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) defendem a criação de um exame nacional de proficiência como pré-requisito para o exercício da medicina, igual a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Dos 80 mil formandos anuais serão oferecidos segundo o ENADE em 2025, 7197 vagas de residência. Isto indica que menos de 10% tem oportunidade de fazer residência médica e se especializar.
A colocação no mercado de trabalho de profissionais pouco qualificados traz um risco muito grande a saúde da população.
Ainda, a ideia de levar mais medicina ao interior do Brasil não foi alcançada, pois estudos recentes mostram que 80% dos novos médicos permanecem ainda nas grandes cidades e capitais.
Na interiorização do médico não é apenas o salário que conta. É necessário condições boas e adequadas para o trabalho se tornar eficaz: boa enfermagem, laboratórios, clínicas de imagem e leitos de internação etc.
Ainda, o médico não se desloca sozinho pois leva junto a sua família.
Há necessidade de ambiente sociocultural, no mínimo receptível.
Recente artigo publicado em São Paulo aborda o processo de saturação de novos médicos na capital. Os recém-formados estão com dificuldade de encontrar emprego e se submetem a plantões com remunerações vergonhosas e exploradoras.
Ao ingressar no mercado de trabalho, com formação incompleta e pouca experiência o jovem médico, incapacitado de solucionar as queixas do paciente, perde a confiança e a autoestima.
Se não possuir um perfil com equilíbrio emocional e mental para enfrentar este novo cenário, rapidamente será alvo de frustração, desilusão, ansiedade e depressão.
Este desânimo poderá ser incrementado ainda mais por falta de apoio familiar.
Estudo do Enade (Instituto nacional de Estudos e Pesquisas) conclui que mais de 90% dos seis anos de medicina é patrocinada pela família (mensalidades, moradia, comida, material de estudos etc.)
Este ambiente se torna rapidamente contaminado, quando a família percebe que o prometido sucesso profissional e financeiro não foi concretizado depois de um investimento grande de tempo e dinheiro.
É comum médicos trabalharem em vários hospitais e clínicas para complementar a renda.
Os motoristas de Uber geralmente aceitam trabalhar no aplicativo pelo mesmo motivo!!
Devido a situação falimentar da medicina, muito em breve, veremos médicos na direção do Uber também!
(Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário)
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