Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026

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O deputado federal Nikolas Ferreira iniciou nesta semana uma caminhada de aproximadamente 240 quilômetros em direção a Brasília. O ato, anunciado como a “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, foi apresentado pelo parlamentar como uma forma de protesto pacífico diante do que classifica como arbitrariedades e excessos que vêm comprometendo o equilíbrio institucional e o pleno funcionamento da democracia no país.

A postura assumida por Nikolas Ferreira ultrapassa o debate político imediato e se insere em um momento sensível da democracia brasileira. Trata-se de uma reação legítima diante da percepção crescente de desequilíbrio institucional, insegurança jurídica, justiça seletiva e restrição progressiva das liberdades civis.

Ao longo da história, sociedades livres sempre dependeram da coragem de cidadãos e representantes dispostos a se posicionar quando limites começam a ser ultrapassados. O silêncio, nesses contextos, nunca é neutro: ele favorece abusos, concentra poder e enfraquece a participação popular. Por isso, manifestações públicas, firmes e pacíficas assumem relevância não apenas política, mas histórica.

O Brasil já viveu momentos semelhantes. Em 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade mobilizou setores conservadores da sociedade civil em reação ao avanço de ideias e projetos associados ao comunismo. Independentemente das interpretações posteriores, aquele episódio entrou para os livros de história como uma das maiores mobilizações populares do país.

Os paralelos com o presente são evidentes. Quando representantes eleitos assumem a responsabilidade de questionar excessos, exigir transparência e reafirmar limites institucionais, não estão atacando a democracia, estão exercendo seu papel dentro dela.

Esse movimento deixa uma mensagem clara às próximas gerações: a liberdade exige atenção constante, coragem e disposição para defendê-la. Quando o medo cala a sociedade, o espaço para abusos se amplia. Mas quando há reação responsável, firme e pacífica, a democracia se fortalece.

Por isso, o gesto protagonizado por Nikolas Ferreira merece respaldo. Não por alinhamento ideológico, mas por coerência democrática. Em momentos de tensão institucional, a omissão cobra um preço alto. A defesa das liberdades, ainda que desconfortável, é o que separa sociedades livres de ambientes onde o silêncio passa a ser regra.

* Vereador Coronel Ustra (PL)

(Foto: Ana Terra Firmino/CMPA

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