Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026

Home Colunistas Um campo minado de petróleo

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Os fatos que desencadearam a prisão de Maduro parecem se perder no passado diante da enorme interrogação proposta pelo futuro da Venezuela. Um país que já esteve entre os cinco mais ricos e prósperos do mundo hoje vive uma realidade que não será alterada em alguns dias, semanas ou meses.

Muitos anos serão necessários para que o povo venezuelano possa novamente usufruir da enorme riqueza petrolífera daquele país, hoje destroçado pela ditadura e corrupção institucionalizada. Mesmo com os investimentos diretos garantidos pelo governo americano e sabe-se lá qual será o direcionamento para essa recuperação, mesmo com ajudas humanitárias específicas para a área da saúde e alimentação, ainda assim a Venezuela padece, nesse momento, do necessário imediatismo exigido pelas carências gritantes no seu tecido social.

Reconstruir um país é mais complicado e demorado do que destroçá-lo e isso faz parte de uma realidade que precisa ser administrada e aceita pela comunidade internacional. Mesmo recuperada, a Venezuela nunca mais será igual e ainda terá as cicatrizes de um regime que matou, torturou e mentiu durante décadas. A dividida comunidade internacional precisa remover o embate político ideológico e, nessa hora, se unir para ajudar uma nação que precisa renascer das cinzas do totalitarismo.

Como pano de fundo, a disputa pelo petróleo venezuelano fará o noticiário se tornar cada vez mais rico em teorias e previsões, afinal, tudo indica um domínio absoluto dos EUA sobre essa commodity abundante na Venezuela e que, ao longo do tempo, provocou guerras e muito sangue nas areias do Oriente Médio.

Estrategicamente, esse domínio do Tio Sam afasta a brutal dependência americana do petróleo árabe e cria uma nova realidade geopolítica que ainda parece pouco avaliada em suas repercussões estratégicas.

A mudança no regime venezuelano é bem mais abrangente do que se imagina. Isso se houver mudança, claro. Afinal, os EUA sempre usaram o seu conceito de democracia muito relativizado na hora de fazer negócios. O tempo dirá.

* Gustavo Victorino é deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, advogado, jornalista e radialista.

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