Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de abril de 2026
Um novo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas por semana deve significar aumento médio de 6,2% dos preços de bens e serviços da economia. Pelas contas da entidade, os preços em supermercados podem subir 5,7%, enquanto serviços pessoais, como manicure e cabeleireiro, podem ter alta de 6,6%.
Este é o segundo trabalho da CNI sobre o tema da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1, debate que se acentuou com o avanço das negociações entre governo e Congresso para votar a proposta ainda este ano.
No primeiro estudo, a CNI mostrou que a proposta de redução da jornada pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia, uma alta de até 7% na folha de pagamento dos empresários.
A publicação mais recente da CNI calcula o impacto imediato da redução da jornada, antes de qualquer estratégia de recomposição dessas horas pelos empresários. A indústria é o setor mais afetado, com queda de 4,34% das horas trabalhadas, seguido por comércio (-4,03%), serviços (-2,44%), construção (-2,04%) e agropecuária (-1,70%).
As contas levam em consideração que a queda das horas trabalhadas corresponde a um recuo da intensidade do trabalho dos empregados atuais, dado que os salários são mantidos. Neste exercício, a produtividade por hora fica constante.
Para compensar a redução das horas trabalhadas e manter o mesmo nível de atividade, as empresas podem contratar horas extras ou contratar novos funcionários.
A metodologia desse estudo da CNI considera que a compensação seria feita com a inclusão de novos trabalhadores, mas as horas trabalhadas não seriam integralmente recompostas.
Ao mesmo tempo, o custo da hora trabalhada aumenta, o que gera elevação de preços em toda a cadeia produtiva. Nessa conta, entram também os custos adicionais com compras de insumos e matérias-primas após os ajustes de empresas de outros setores.
“Nesse cenário, estimamos um aumento de 6,2% nos preços da economia após a redução do limite semanal de horas trabalhadas”, aponta o texto.
Em serviços – em que há uso mais intensivo de mão de obra -, essa alta de preço é maior, de 6,5%. As taxas são de 6% nos produtos industrializados e de 4% nos agropecuários.
Na avaliação do presidente da CNI, Ricardo Alban, a elevação do custo do trabalho deve levar a aumento generalizado de preços. “As empresas não enfrentarão apenas o aumento do custo direto com mão de obra, mas os insumos também deverão ter preços reajustados, considerando que a redução do limite das horas trabalhadas afeta toda a cadeia produtiva.”
O efeito na produtividade é um dos pontos destaque na discussão sobre jornada de trabalho. Os defensores da redução dizem que a melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores contribui para que produzam mais. Por outro lado, os críticos lembram que a produtividade não depende apenas do trabalhador, mas também de fatores como gestão da empresa, infraestrutura e segurança jurídica.
Diferentes trabalhos têm sido realizados por entidades da classe empresarial sobre o tema. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que cada 1% de aumento na folha do comércio representaria alta de 0,6% dos preços. O documento calcula em R$ 122,4 bilhões o custo de adequação, o que corresponde a uma ampliação de 21% da folha de pagamentos e 13% de ajuste nos preços a médio prazo. A metodologia desse estudo é diferente da adotada pela CNI. Com informações do portal Valor Econômico.